CÂMARA

Hugo Motta diz que indicação de Eduardo à liderança será analisada com cautela pela Câmara

Por Sputinik Brasil Publicado em 17/09/2025 às 05:07
© Foto / Lula Marques/Agência Brasil

A indicação de Eduardo Bolsonaro para liderar a minoria na Câmara gera controvérsia: morando nos EUA, ele pressiona o governo Trump contra o Judiciário brasileiro e busca anistia ao pai. A presidência da Casa avalia se sua ausência impede o exercício da função parlamentar.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se mudou para os Estados Unidos e tem buscado influenciar o governo de Donald Trump contra o governo brasileiro e o Judiciário, em especial pressionando por anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e por sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A atuação de Eduardo está sob investigação, e sua permanência fora do país levanta dúvidas sobre sua capacidade de exercer funções parlamentares.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou como "atípica" a indicação de Eduardo para a liderança da minoria e afirmou que o caso será analisado pela Mesa Diretora.

"Esta presidência não pode tomar nenhuma providência na base da especulação. Nós estamos ainda no campo das notícias. Aguardaremos a presidência ser oficiada sobre a decisão da liderança da minoria. É claro que se trata de um caso atípico. Vamos fazer uma análise, conversar com os partidos de oposição e, no momento certo, responderei à questão de ordem", declarou Motta.

A nomeação de Eduardo ocorreu após a renúncia da atual líder da minoria, Caroline de Toni (PL-SC), que transferiu a função ao colega de bancada. Segundo ela, Eduardo tem "responsabilidade e coragem" para assumir o posto. De acordo com a apuração do G1, o líder do Partido Liberal (PL), Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Caroline continuará atuando no plenário e representará Eduardo quando necessário.

Técnicos da Câmara interpretam a escolha como uma possível estratégia para blindar Eduardo contra um processo de perda de mandato por faltas excessivas. A Constituição prevê essa punição para parlamentares que se ausentarem de um terço ou mais das sessões, mas atos da Mesa de 2015 permitem justificar ausências de líderes em sessões deliberativas — sem, contudo, abordar explicitamente casos de residência no exterior.

A oposição aposta nessa brecha para garantir que Eduardo mantenha o mandato, mesmo morando nos Estados Unidos. A situação, no entanto, permanece indefinida, já que a oficialização da liderança depende de despacho da presidência da Câmara, que só tomará providências após ser formalmente comunicado e após diálogo com os partidos de oposição.

Sóstenes Cavalcante defende que o ato da Mesa é suficiente para validar a escolha, dispensando retorno formal da presidência. Ainda assim, técnicos alertam que a decisão final cabe a Hugo Motta.