Nobel da Paz para María Corina Machado gera controvérsia e divide imprensa internacional
Jornais dos EUA e Reino Unido destacam ligações da opositora venezuelana com Donald Trump e críticas por posições pró-intervenção
A escolha da política venezuelana María Corina Machado como vencedora do Prêmio Nobel da Paz provocou forte repercussão na imprensa internacional e reacendeu o debate sobre seu papel na oposição ao governo de Nicolás Maduro.
Segundo o The Wall Street Journal, o anúncio teria sido um choque para o ex-presidente Donald Trump, que há anos demonstrava interesse pelo prêmio. Ainda assim, o jornal destacou que Machado mantém proximidade com o governo republicano e apoia a política externa norte-americana, inclusive sem se opor às deportações em massa de migrantes venezuelanos de volta ao país governado por Maduro.
O The New York Times descreveu a laureada como uma “forte apoiadora” da presença militar dos EUA no Caribe, citando operações navais contra embarcações suspeitas em águas internacionais que resultaram na morte de pelo menos 21 pessoas.
Já o britânico The Guardian observou que “alguns venezuelanos desconfiam” da nova Nobel da Paz por seus “apelos mal disfarçados por uma intervenção militar estrangeira” no passado. O jornal ressaltou que Machado justificou tais declarações afirmando que apenas “uma ameaça real e credível” poderia forçar Maduro a deixar o poder.
Um dos analistas ouvidos pelo The Guardian observou que “grande parte da luta de Machado pela democracia tem sido feita por meios não democráticos”, o que intensificou as críticas à decisão do Comitê Nobel.