SAÚDE

Alagoano é investigado como possível vítima de intoxicação por metanol em Pernambuco

Casos no estado vizinho já deixaram duas pessoas mortas e uma cega; suspeito de distribuir bebidas adulteradas foi preso

Por Redaçao Publicado em 14/10/2025 às 16:14
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Um morador de Alagoas está sendo investigado como possível vítima de intoxicação por metanol em Pernambuco, onde três casos já foram confirmados — dois deles fatais e um com cegueira permanente. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (13) durante coletiva da Secretaria de Defesa Social (SDS), em Recife.

Segundo José Lancart, diretor de Vigilância Epidemiológica de Pernambuco, das 48 notificações registradas até agora, 45 envolvem moradores locais, dois são de São Paulo e um de Alagoas. O caso alagoano ainda passa por exames laboratoriais e avaliação clínica para confirmar a contaminação.

As investigações são conduzidas em conjunto pelos governos estaduais e o Ministério da Saúde. Laudos periciais apontaram que o uísque consumido pelas vítimas apresentava concentração de metanol até 300 vezes acima do limite permitido, com um dos casos registrando níveis cinco vezes superiores ao considerado crítico para tratamento.

As vítimas confirmadas em Lajedo, no Agreste pernambucano, foram identificadas como Celso da Silva, 43 anos, que morreu em 9 de setembro; Jonas da Silva Filho, que faleceu antes de ser transferido para o hospital; e Marcelo dos Santos Calado, 32, que sobreviveu, mas ficou cego.

Durante a coletiva, a SDS anunciou a prisão de um homem de 40 anos, natural de São Bento do Una, suspeito de trazer bebidas adulteradas de São Paulo. Na casa da mãe dele, a polícia apreendeu mais de 700 litros de bebidas. O delegado Éverton Bastos informou que o suspeito já tinha antecedentes por receptação e importação irregular de cargas.

O motorista responsável pelo transporte da carga morreu em um acidente no fim de setembro, e a polícia apura se há relação com o caso. As autoridades reforçam o alerta à população de Pernambuco e Alagoas para evitar o consumo de bebidas sem rótulo ou de origem duvidosa, especialmente as vendidas informalmente, pois parte da carga pode ter circulado próximo à divisa entre os dois estados.

As apurações seguem com apoio das polícias civis de Pernambuco e Alagoas, do Instituto de Criminalística e do Ministério da Saúde.