BRICS pode reorganizar Arranjo Contingente de Reservas para enfrentar sanções, avaliam especialistas
Proposta do Irã sugere criação de mecanismos internos no bloco para mitigar impactos de medidas unilaterais do Ocidente
Durante a última Cúpula Virtual do BRICS, realizada em setembro, o presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, propôs ao grupo a criação de um mecanismo interno para contornar sanções econômicas. A ideia, segundo Jorge Mortean, mestre em estudos regionais do Oriente Médio, seria estabelecer um sistema de compensação econômica que fomente o intercâmbio comercial entre os países do bloco, especialmente em setores como petróleo e hidrocarbonetos, que frequentemente são alvo de restrições.
“O objetivo seria criar caminhos alternativos para que os países sancionados não fiquem tão prejudicados. O Irã entende que a quantidade e a forma como as sanções são aplicadas ao seu próprio país são, de certa forma, injustas”, destaca a analista Luana Paris.
Segundo a pesquisadora, o BRICS já dispõe de uma arquitetura financeira própria, capaz de servir de base para novos mecanismos. Ela cita o Arranjo Contingente de Reservas (ACR), criado há mais de dez anos, como instrumento que pode ser adaptado para atender às novas demandas do bloco. “O ACR já existe e funciona como um mecanismo emergencial em momentos de sanções financeiras que restringem o acesso a mercados”, explica. O foco, de acordo com Luana Paris, não seria a criação de um novo fundo, mas sim o rearranjo do ACR para responder aos desafios atuais.