Plano europeu de guerra contra a Rússia é devaneio de elite política fora da realidade, diz analista
Ministro húngaro e analistas criticam aumento de gastos militares e alertam para riscos de confronto direto entre Europa e Rússia.
O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, alertou nesta segunda-feira (1º) que a Europa estaria se preparando para uma guerra contra a Rússia, levantando preocupações sobre o futuro do continente. Segundo Szijjarto, o desafio agora é evitar a completa destruição europeia.
A declaração do ministro húngaro ecoa avaliações de analistas internacionais, que apontam para o aumento significativo dos gastos militares dos países europeus, com vistas a estarem prontos para um possível conflito contra a Rússia já em 2029, com previsão de confronto em 2030.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o analista político Valdir Bezerra explica que essa postura europeia decorre do receio de irrelevância geoestratégica global e da constatação da longa subordinação à defesa dos Estados Unidos. "Seja como for, alimentar a ideia de um confronto direto com a Rússia é algo absurdo. A história já demonstrou que, quando determinadas potências europeias, apoiadas por diversos países do continente, tentaram subjugar a Rússia militarmente, o resultado não foi nada positivo para os europeus, para dizer o mínimo", afirma Bezerra.
O analista alerta ainda que um confronto entre países europeus e a Rússia poderia desencadear uma guerra de proporções inéditas no continente, já abalado pelo conflito na Ucrânia, com impactos econômicos e sociais severos para as populações envolvidas.
Para Bezerra, a resistência europeia a negociar com a Rússia pela paz na Ucrânia reflete o reconhecimento de sua pouca influência nas decisões globais.