CRIME EM FAMÍLIA

MP denuncia mulher por contratar 'Menina Veneno' e irmã gêmea para matar o pai em SP

Michelle Paiva teria contratado Ana Paula Veloso, conhecida como 'Menina Veneno', e sua irmã para envenenar o próprio pai; outras três mortes também são investigadas.

Publicado em 02/12/2025 às 21:47
Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou, na segunda-feira (1º), Michelle Paiva da Silva, de 43 anos, por contratar a estudante de direito Ana Paula Veloso Fernandes, conhecida nas redes sociais como "Menina Veneno", e sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, para matar o próprio pai. Segundo a denúncia, Michelle financiou a ida de Ana Paula de Guarulhos (SP) para Duque de Caxias (RJ), onde Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, foi envenenado.

De acordo com o MP-SP, a acusação é de homicídio triplamente qualificado e agravado — motivo torpe, meio insidioso e cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e crime contra pessoa maior de 60 anos. A pena pode chegar a 40 anos de prisão. Michelle está presa desde 7 de outubro.

A promotoria solicitou à Justiça a conversão da prisão temporária de Michelle em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado. Até o momento, as defesas das três mulheres não se manifestaram.

O crime ocorreu em 26 de abril deste ano, na casa onde o idoso residia com a filha, na Baixada Fluminense. As investigadas teriam envenenado a feijoada consumida pela vítima com chumbinho. Segundo a Polícia Civil, Ana Paula confessou ter testado o veneno previamente em 10 cachorros.

Conforme o Ministério Público, Michelle e Ana Paula eram amigas de faculdade. A investigação aponta que Michelle, após desentendimentos com o pai, sugeriu que Ana Paula e sua irmã gêmea, Roberta, o matassem envenenado. Em troca, as irmãs seriam perdoadas de uma dívida que tinham com Michelle.

A polícia prendeu as gêmeas entre julho e agosto deste ano. Elas respondem não só pela morte do pai de Michelle, mas também por outros três homicídios ocorridos em Guarulhos e Duque de Caxias.

Caso a denúncia contra Michelle seja aceita pela Justiça, ela se tornará ré pelo assassinato do próprio pai.

Outros casos

Ana Paula também é suspeita da morte de Marcelo Hari Fonseca, de 51 anos, encontrado morto em 31 de janeiro deste ano, nos fundos da casa onde ela morava em Guarulhos. Segundo a Polícia Civil, foi a própria estudante quem comunicou o fato à Polícia Militar, alegando ter sentido um forte odor na residência, que havia sido alugada por ela e pela irmã.

Outro caso ocorreu em 11 de abril, quando Maria Aparecida Rodrigues foi encontrada morta em casa, também em Guarulhos. A filha da vítima relatou à polícia que Maria Aparecida havia saído, na véspera, com Ana Paula, que usava outro nome. No dia anterior à morte, Maria Aparecida visitou a estudante, onde foi convidada a tomar café e comer bolo. No dia seguinte, foi encontrada morta pela filha, que desconfiou do encontro.

As investigações apontam que Ana Paula teria envenenado Maria Aparecida para tentar incriminar um policial militar casado com quem mantinha um relacionamento. Após o crime, Ana Paula passou a insinuar nas redes sociais que a vítima tinha um caso com o PM.

Em 23 de maio, a quarta vítima, Hayder Mhazres, tunisiano de 21 anos e namorado de Ana Paula, passou mal em um apartamento no bairro do Brás, em São Paulo. O corpo não foi exumado e acabou sendo transportado para a Tunísia, onde vivia a família. Para os investigadores, ele também pode ter sido envenenado.