Proposta de recriação da Grã-Colômbia reflete reação ao avanço do personalismo global
Gustavo Petro defende união regional em resposta a ataques dos EUA e mudanças nas relações internacionais
O presidente colombiano, Gustavo Petro, reiterou em diversas ocasiões seu desejo de revitalizar a Grã-Colômbia — nação histórica composta por Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá. A proposta ganhou novo fôlego após ataques dos Estados Unidos a embarcações no Caribe e no Pacífico, que resultaram em 83 mortos sob acusações, sem provas, de narcotráfico.
Segundo Petro, a integração regional pode ser a única resposta efetiva diante das agressões recentes de Washington. O projeto da Grã-Colômbia, idealizado por Simón Bolívar, foi desfeito pela fragmentação das lideranças locais, explica o cientista político Andrés Londoño, em entrevista ao podcast da Sputnik Brasil.
Para Londoño, o recente distanciamento da Colômbia dos EUA indica uma "etapa de transição" nas relações entre americanos e sul-americanos. Tradicionalmente aliado dos EUA, inclusive por meio de tratado de livre comércio, o país agora se aproxima da China e de nações do Oriente Médio.
O professor de relações internacionais Andrew Traumann destaca que Petro enfrenta desafios internos, sobretudo por ser o primeiro presidente de esquerda da Colômbia. "Estamos assistindo a um grande enfraquecimento do direito internacional e das organizações multilaterais. A política internacional se torna cada vez mais personalista, baseada nas decisões de poucos indivíduos", afirma Traumann.
Por Sputnik Brasil