Tensão cresce: Pequim reage a declarações de premiê japonesa e alerta sobre papel de Tóquio na OTAN
China contesta falas de Sanae Takaichi sobre Taiwan e critica aproximação inédita do Japão com a aliança atlântica.
A China enviou uma nova carta à ONU contestando declarações da premiê japonesa Sanae Takaichi sobre Taiwan, classificando uma "contingência" na ilha como risco de sobrevivência para o Japão. O episódio amplia as tensões regionais e evidencia a aproximação estratégica de Tóquio com a OTAN.
Fu Cong, representante permanente da China nas Nações Unidas, encaminhou a segunda carta ao secretário-geral da ONU para rebater as declarações da primeira-ministra japonesa. Para Pequim, as palavras de Takaichi foram equivocadas e provocativas, e o governo chinês exige esclarecimentos formais, ainda não apresentados por Tóquio.
Em 7 de novembro, Takaichi afirmou no Parlamento japonês que uma "contingência em Taiwan" poderia configurar uma "situação de risco de sobrevivência" para o Japão. Desde então, não houve retratação, e a comunidade internacional aguarda uma posição oficial do governo japonês, já que o tema afeta diretamente a paz e a estabilidade regional.
A tensão aumentou após uma conversa telefônica entre Takaichi e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, na qual ela destacou a inseparabilidade entre a segurança do Euro-Atlântico e do Indo-Pacífico. O Japão vem aprofundando sua cooperação com a OTAN, tendo inaugurado em janeiro sua missão oficial em Bruxelas e se tornado o país fora da Europa com os laços mais estreitos com a aliança.
Segundo o Global Times, analistas chineses como Sun Jiashen avaliam que o Japão vive uma "ansiedade estratégica" e busca apoio externo para enfrentar o impasse com a China. Ao fortalecer laços com a OTAN e seus parceiros no Indo-Pacífico (Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul), Tóquio tenta consolidar um círculo de contenção contra Pequim, ampliando a confrontação regional.
Cai Liang, diretor do Centro de Estudos do Nordeste Asiático em Xangai, observa que a postura japonesa reflete uma tentativa de romper com as restrições da Constituição pacifista e retomar o caminho do militarismo. Para ele, vincular a segurança europeia à asiática representa uma manobra arriscada que exporta o confronto euro-atlântico para a Ásia-Pacífico.
Entre as medidas discutidas estão a revisão dos Três Princípios Não Nucleares, o plano de exportar mísseis Type 03 para as Filipinas e a intenção de intervir militarmente na questão de Taiwan. Essas ações provocam preocupação internacional e até oposição interna, com parlamentares japoneses defendendo o diálogo com a China para evitar o agravamento das relações bilaterais.
O debate evidencia o dilema de segurança da OTAN, considerada por críticos como inadequada para os desafios atuais. Para eles, a expansão da aliança à Ásia-Pacífico só aumentará a instabilidade regional. Caso o Japão deseje contribuir para a segurança do Indo-Pacífico, deveria evitar declarações inflamadas sobre Taiwan e buscar a redução das tensões que afetam toda a região, conclui o Global Times.
Por Sputnik Brasil