Se os EUA perderem a América Latina, perdem a hegemonia global, avalia analista
Pesquisador aponta que a América Latina voltou ao foco dos EUA como estratégia para manter influência mundial.
Nos últimos meses, os Estados Unidos têm intensificado sua política externa na América Latina, buscando fortalecer laços com aliados, conquistar novos parceiros e criar tensões com governos que não seguem as diretrizes de Washington.
Embora regiões como Oriente Médio, Leste Europeu e Ásia sigam no centro das atenções estadunidenses, a América Latina, antes relegada a segundo plano, retorna ao protagonismo, conforme analisa o pesquisador Roberto Moll Neto.
"Minha hipótese é de que o governo Trump está encarando a América Latina como um espaço estratégico para reconstruir sua hegemonia, tanto interna quanto externa", explica o especialista.
Na avaliação de Neto, a Casa Branca ameaça intervir militarmente na Venezuela para derrubar o presidente Nicolás Maduro e desestabilizar o país. Os principais focos dos EUA na região, segundo o analista, são Colômbia, Venezuela e, em menor escala, o Brasil.
O desafio, aponta o pesquisador, é legitimar essas ações diante do eleitorado norte-americano branco e empobrecido, que vê intervenções externas como desperdício de recursos que deveriam ser investidos internamente, em sintonia com o lema "América em Primeiro Lugar".
"Para contornar esse impasse, o governo Trump resgatou a ideia de que a América Latina não é ‘externa’, mas parte do hemisfério. Mais que isso, reforçou a concepção de que a região precisa ser controlada por representar ameaça à segurança dos EUA, seja pelo tráfico de drogas ou pela imigração", conclui.