ECONOMIA E ENERGIA

Leilão do pré-sal arrecada menos que o previsto e frustra expectativas do governo

Apenas dois dos três lotes foram arrematados por consórcio entre Petrobras e Shell, totalizando R$ 8,79 bilhões, abaixo da estimativa inicial.

Publicado em 04/12/2025 às 13:01
Leilão do pré-sal arrecada menos que o esperado e apenas dois dos três lotes são arrematados. © Foto / Geraldo Falcão / Agência Petrobras

O leilão das reservas do pré-sal, realizado nesta quinta-feira (4), arrecadou menos do que o previsto e não atingiu a expectativa do governo.

Apenas dois dos três lotes ofertados foram arrematados por um consórcio formado por Petrobras e Shell, que desembolsou R$ 8,79 bilhões — valor inferior à previsão inicial de até R$ 15 bilhões.

"Tínhamos a perspectiva de que as três áreas fossem arrematadas, mas [leilão] é assim mesmo", avaliou Luiz Fernando Paroli, presidente da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que classificou o resultado como "um grande sucesso".

O consórcio ofereceu R$ 7,79 bilhões pelo campo de Mero, com ágio de 1,9%, e R$ 1 bilhão por Atapu, com ágio de 16%. Não houve propostas para Tupi, mesmo sendo o segundo maior produtor do país. Paroli explicou que a PPSA optou por preços mínimos elevados, o que pode ter afastado concorrentes.

"Quando a gente faz isso, corre o risco de a nossa visão ser diferente da visão dos compradores", afirmou.

Executivos das empresas celebraram o resultado. Bruno Moczydlower, da Petrobras, destacou que a participação da estatal está alinhada à estratégia de reposição de reservas com baixo risco. Já Flávio Ofugi Rodrigues, vice-presidente da Shell, disse que o resultado "reforça nossa parceria com a Petrobras e com o governo brasileiro, e nossa estratégia para o país".

Nos bastidores, o desempenho do leilão acendeu alertas. O Tribunal de Contas da União autorizou a realização do certame na véspera, mas apontou falhas de governança e criticou a ausência de uma "análise robusta" para justificar a antecipação de receitas.

O ministro Bruno Dantas afirmou que a decisão foi motivada por "urgência fiscal", embora o tribunal tenha evitado suspender o processo para não gerar "impactos fiscais negativos" nem abalar a confiança dos investidores. O Ministério da Fazenda e o Ministério de Minas e Energia foram orientados a aprimorar estudos e previsões orçamentárias para evitar dependência de receitas incertas.

Por Sputnik Brasil