JUSTIÇA E SEGURANÇA

Defesa de acusado de atropelar e arrastar mulher pede sigilo no processo por ameaças

Advogado relata ameaças a si, ao réu e familiares; vítima segue internada em estado grave após amputações.

Publicado em 05/12/2025 às 07:47
Defesa de acusado de atropelar e arrastar mulher pede sigilo no processo por ameaças Reprodução / internet

O advogado Marcos Leal, defensor de Douglas Alves da Silva — preso por tentativa de feminicídio após atropelar e arrastar Tainara Souza Santos por cerca de um quilômetro na zona norte de São Paulo — pediu à Justiça que o processo tramite em sigilo. Segundo ele, tanto o acusado quanto sua família e o próprio advogado estão recebendo ameaças em razão da repercussão do caso.

O pedido de sigilo segue em análise judicial. Conforme Leal, Douglas tem sido alvo de ameaças de outros detentos e de mensagens hostis enviadas por meio das redes sociais. O advogado também relata ser vítima de críticas e xingamentos. Em uma das mensagens recebidas, exibida à reportagem, o remetente afirma: "Queria ver se fosse a sua filha, seu merda", em referência à defesa do acusado.

"A sociedade ficou doente. Sou pai de dois filhos. Estou contratando seguranças", afirmou Leal. Ele acrescentou que solicitou apoio da Polícia Militar do Ceará para reforçar a segurança dos pais de Douglas, que também estariam sofrendo represálias. "Eles são idosos, com quase 80 anos de idade. A mãe precisou ser hospitalizada diante de toda a situação", relatou.

No último sábado, 29 de novembro, Tainara foi atropelada ao sair de um bar na Vila Maria. Ela ficou presa sob o veículo e foi arrastada por cerca de um quilômetro, sendo finalmente desprendida próximo a um posto de combustível.

Tainara, de 31 anos e mãe de duas filhas, foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital Municipal Vereador José Storopolli. Ela precisou amputar as duas pernas e permanece internada na UTI, respirando com auxílio de aparelhos. Segundo familiares, seu quadro é estável.

A defesa de Douglas afirma que ele não conhecia a vítima e que teria tentado atingir um homem com quem discutiu no bar, após suposta ameaça de morte. Por outro lado, advogados da família de Tainara alegam que o acusado manteve um relacionamento breve com a jovem e teria cometido o crime por ciúmes ao vê-la acompanhada de outro homem.

Um amigo de Douglas, que estava no carro, declarou à polícia que, após o atropelamento, o acusado acelerou o veículo com o freio de mão puxado para aumentar a pressão contra a vítima e agravar os ferimentos.

Douglas foi preso um dia após o crime em um hotel na zona leste da capital. Segundo a polícia, ele reagiu à abordagem, foi baleado no braço e detido em seguida. As investigações apontam que ele planejava fugir para o Ceará, onde vivem seus pais. Ainda de acordo com o advogado Marcos Leal, Douglas relatou em audiência de custódia ter sido torturado por agentes e afirmou que permaneceu com feridas abertas sem receber atendimento médico adequado.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que a abordagem policial "cumpriu todos os requisitos necessários e foi realizada dentro dos parâmetros de legalidade". A Justiça manteve a prisão após a audiência de custódia, e Douglas segue detido no 26º DP, no Sacomã, zona sul da capital.