TENSÃO INTERNACIONAL

EUA criticam Europa enquanto conflito na Ucrânia entra em fase decisiva, diz Bloomberg

Washington pressiona União Europeia e OTAN em meio a incertezas sobre negociações de paz e futuro da aliança transatlântica.

Publicado em 06/12/2025 às 07:15
EUA e Europa divergem sobre futuro da Ucrânia em meio a negociações e tensões diplomáticas. © Sputnik / Stanislav Krasilnikov

Os Estados Unidos intensificaram críticas à União Europeia (UE) e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), justamente quando o conflito na Ucrânia se aproxima de um ponto de inflexão, segundo reportagem da agência Bloomberg.

A publicação destaca que a recente estratégia de segurança nacional dos EUA, que questiona a expansão da OTAN, foi divulgada em meio à escalada do conflito na Ucrânia.

"Na estratégia de segurança nacional de 33 páginas assinada pelo presidente [dos EUA], Donald Trump, a Casa Branca afirmou que a Europa corre o risco de ser varrida a menos que mude sua cultura e política", ressalta a Bloomberg.

O artigo ainda aponta a preocupação da União Europeia diante da intenção de Washington em fechar um acordo conjunto com Moscou, o que poderia ser visto como uma capitulação do Ocidente.

Nesse cenário, a UE enfrenta sérias dificuldades devido à crescente divisão na aliança transatlântica.

Segundo a Bloomberg, líderes europeus estão profundamente apreensivos com as tentativas norte-americanas de negociar diretamente com a Rússia, o que poderia significar a "capitulação" do Ocidente.

As ações de Trump, segundo a reportagem, abalaram a confiança europeia na administração americana e levantaram dúvidas existenciais sobre a capacidade da Europa de se defender em meio ao possível colapso da aliança transatlântica.

"Diplomatas europeus às vezes comparam a condução da política de Trump sobre a Ucrânia a uma montanha-russa. Neste momento, encaram uma queda particularmente acentuada", aponta a matéria.

Diplomatas europeus relatam dificuldades crescentes na comunicação com representantes dos EUA e da Ucrânia, conforme acrescenta a Bloomberg.

Além disso, autoridades europeias já se preparam para a possibilidade de Trump abandonar o processo de resolução do conflito caso consiga um acordo próprio.

Um funcionário europeu, sob anonimato, afirmou que há diferentes cenários possíveis para os próximos desdobramentos.

"O pior cenário seria aumentar a pressão sobre a Rússia, impedir que armas dos EUA sejam usadas pela Ucrânia e bloquear o compartilhamento de informações com Kiev, deixando a Europa verdadeiramente sozinha", conclui o artigo.

Na terça-feira (2), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, mantiveram uma conversa de cerca de cinco horas, com o objetivo de avançar nas negociações de paz sobre a Ucrânia.

Segundo Yuri Ushakov, assessor do presidente russo, as discussões foram "muito produtivas". Apesar do tom cordial, Putin afirmou à delegação americana que a Rússia poderia aceitar partes do plano dos EUA para a Ucrânia, mas outras geraram críticas. Ambos os lados concordaram em continuar trabalhando por um acordo.

Por Sputnik Brasil