MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recupera parte das perdas com apoio de NY e blue chips; cenário político permanece no radar

Bolsa brasileira reage à queda da última sexta-feira, impulsionada por notícias políticas e desempenho de grandes empresas.

Publicado em 08/12/2025 às 11:23
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O Ibovespa opera em alta nesta segunda-feira, 8, recuperando parte das perdas registradas na sexta-feira, quando o mercado foi impactado pela aversão ao risco diante do noticiário político. O movimento de correção ocorre à medida que surgem sinais de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode desistir da pré-candidatura à Presidência em 2026, em troca de apoio político, incluindo possível anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, a possibilidade de a candidatura de Flávio não se concretizar contribui para a recuperação dos ativos. “Destaque para o Ibovespa, que retornou aos 157 mil pontos, e para o câmbio, que encerrou a sexta-feira em R$ 5,43/US$”, aponta em nota.

Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, ressalta que a retirada de Flávio da disputa traz alívio ao mercado. “Uma melhora mais consistente dos ativos dependeria da entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na corrida eleitoral de 2026”, observa.

Apesar da recuperação, a sessão pode registrar volatilidade, já que investidores aguardam decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, além da divulgação do IPCA de novembro e de dados de atividade no país. O noticiário político e corporativo permanece no centro das atenções. A queda de 1,43% no minério de ferro e de cerca de 1% no petróleo no exterior também pode limitar os ganhos, assim como a leve alta dos índices futuros de ações em Nova York.

A expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em 15% ao ano na reunião de quarta-feira, conforme o boletim Focus divulgado hoje. Para 2026, a mediana das projeções para a taxa básica de juros subiu de 12,0% para 12,25%. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) deve promover um corte de 0,25 ponto percentual em suas taxas básicas.

O mercado aguarda que o Copom sinalize, na quarta-feira, quando pretende iniciar o ciclo de cortes da Selic, diante do cenário de desinflação. No Focus, a estimativa mediana para o IPCA fechado em 2025 recuou de 4,43% para 4,40%, abaixo do teto da meta (4,50%). Já a projeção para a inflação suavizada nos próximos 12 meses caiu de 4,10% para 4,05%.

No noticiário corporativo, o destaque é o Banco do Brasil. A B3 concedeu prazo adicional para que a instituição adeque a composição de seu conselho ao regulamento do Novo Mercado, agora até 30 de abril de 2026. Por volta das 11h01, as ações do BB subiam 1,94%. O Grupo Pão de Açúcar assinou contrato para venda de sua participação na Financeira Itaú CBD (FIC) ao Itaú Unibanco por R$ 260,1 milhões, levando as ações do grupo a avançarem 1,04%.

Na última sexta-feira, o Ibovespa encerrou em queda de 4,31%, aos 157.369,36 pontos – a pior marca em quatro anos –, enquanto os juros futuros e o dólar subiram. Pela manhã, o principal índice da B3 chegou a atingir a inédita marca de 165 mil pontos.

Às 11h03, o Ibovespa avançava 1,09%, aos 159.084,87 pontos, com o dólar em queda para R$ 5,3965 (-0,63%) e recuo na curva de juros futuros. Papéis de empresas como Vale, Petrobras e grandes bancos registravam alta.