FISCALIZAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS

Dino aciona PF para investigar irregularidades nas 'emendas Pix' em municípios

Ministro do STF encaminha relatório da CGU que aponta falhas graves na execução de recursos em 19 cidades e em Santa Catarina.

Por Sputinik Brasil Publicado em 08/12/2025 às 17:13
Ministro Flávio Dino aciona PF para apurar irregularidades nas emendas Pix em municípios e Santa Catarina. © Divulgação / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, encaminhou à Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (8), um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) que aponta irregularidades na execução das chamadas emendas Pix em 19 municípios e no estado de Santa Catarina.

De acordo com o documento, foram identificadas "falhas graves na execução dos recursos", incluindo descumprimento de exigências legais, falta de transparência, descumprimento dos planos de trabalho, superfaturamento e pagamento por serviços não executados.

Os repasses das emendas destinados aos municípios e ao estado de Santa Catarina somaram R$ 72,3 milhões até fevereiro de 2025.

Dino é o relator da ação que trata da transparência e rastreabilidade das transferências especiais do Orçamento da União por meio de emendas parlamentares.

Na decisão, o ministro afirmou que há "um quadro generalizado de ilegalidades, com grave afronta às decisões do STF em tema tão relevante quanto o uso de dezenas de bilhões de reais do Orçamento da União".

O ministro também determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) apresente, em até 60 dias, o primeiro relatório sobre indícios de irregularidade em emendas. Além disso, estabeleceu que o uso de emendas de bancada e de comissão para pagamento de pessoal da saúde só poderá ocorrer mediante regras rígidas de transparência, como a divulgação mensal dos servidores remunerados e dos valores pagos, em contas específicas e rastreáveis.

Em setembro, Dino já havia suspendido repasses de emendas parlamentares para nove dos dez municípios que mais receberam recursos via emendas Pix entre 2020 e 2024, incluindo capitais como o Rio de Janeiro. Segundo o ministro, os valores estavam sob suspeita.

As emendas Pix permitem transferências diretas da União a estados e municípios, sem a necessidade de identificar o político responsável pela indicação, o destino do dinheiro ou o beneficiário final.