JUSTIÇA

Defesa pede absolvição de delegada acusada de participação em trama golpista

Advogados argumentam falta de provas e negam relação de Marília de Alencar com ex-ministro Anderson Torres

Publicado em 09/12/2025 às 17:11
Defesa de Marília de Alencar pede absolvição no julgamento do STF sobre trama golpista.

A defesa de Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, solicitou nesta terça-feira (9) a absolvição da delegada, acusada de envolvimento na trama golpista durante o governo de Jair Bolsonaro.

A sustentação foi apresentada durante sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julga Marília e outros cinco réus do chamado núcleo 2 da trama golpista.

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Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Marília, delegada da Polícia Federal, teria sido responsável pelo business intelligence (levantamento de dados) utilizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) para a realização de blitze e suposta restrição à circulação de eleitores do Nordeste no segundo turno das eleições de 2022.

O advogado Eugênio Aragão, responsável pela defesa, afirmou que o objetivo do levantamento era monitorar possíveis ações do crime organizado durante o pleito. Ele também alegou que não há provas de que os dados tenham sido repassados a Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF e também réu no processo.

Aragão destacou ainda que, conforme depoimentos de policiais ouvidos durante a instrução, o planejamento das operações era descentralizado e cabia às superintendências estaduais definir os pontos das barreiras.

O advogado enfatizou que Marília não possuía qualquer relação pessoal com o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, condenado no núcleo 1 do processo.

"Não havia absolutamente nenhuma relação pessoal dela com o ministro de Estado", reforçou Aragão.

A sessão do STF prossegue com as sustentações das defesas dos demais réus.

Núcleo 2

Além de Marília de Alencar, são réus Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro; Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro; Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF; Mário Fernandes, general da reserva do Exército; e Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça.

O grupo responde por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, além de deterioração de patrimônio tombado.