Nova Política Nacional de Defesa do Brasil busca maior autonomia internacional
Documento aprovado pelo governo destaca a importância de parcerias estratégicas e recursos naturais em cenário multipolar.
A nova Política Nacional de Defesa (PND), aprovada em novembro pelo governo brasileiro, destaca a transição do mundo unipolar para uma era de multipolaridade. O decreto ressalta que a formação de grupos como o BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — amplia as oportunidades de cooperação internacional em benefício do país.
O texto enfatiza ainda que a crescente demanda por recursos naturais tende a intensificar disputas, salientando que grande parte desses recursos está localizada na Antártica, América do Sul e África — regiões historicamente exploradas durante o período colonial.
Para o professor Sandro Teixeira, a questão dos recursos naturais deve gerar tensões no sistema internacional, potencializando conflitos, mas não apenas entre Norte e Sul Globais. Segundo ele, é provável que surjam alianças mais diretas entre países, com nações do Norte tentando atrair individualmente países do Sul.
O analista também destaca a relevância de parcerias em um cenário multipolar, especialmente diante de desafios como o conflito na Ucrânia, que tem impactado aquisições de defesa. “Ter parceiros fora dos circuitos tradicionais possibilita o desenvolvimento tecnológico, algo fundamental para o Brasil. Por isso, buscar países como Índia, Turquia e África do Sul indica como o país pretende criar seu espaço de autonomia internacional”, afirma.
Já o professor Rubens de Siqueira Duarte observa que há uma transição geopolítica em curso, à qual o Brasil deve estar atento para proteger os interesses nacionais. “Isso inclui buscar novas parcerias e mercados, aproveitando a rivalidade global”, ressalta o especialista.