GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL

EUA ameaçam Venezuela por petróleo e hegemonia do dólar, aponta especialista

Cibele Vieira, da FUP, avalia que interesses dos EUA vão além da energia e visam manter o dólar como moeda dominante.

Publicado em 12/12/2025 às 06:07
EUA intensificam pressão sobre Venezuela por petróleo e influência do dólar, diz especialista. © Foto / Alex Brandon / AP; Ariana Cubillos / AP; Montagem / Sputnik Brasil

As recentes ameaças dos Estados Unidos à Venezuela não se limitam ao interesse pelos recursos petrolíferos do país sul-americano, mas também refletem o objetivo de preservar a hegemonia do dólar no cenário internacional. A análise é de Cibele Vieira, diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP) do Brasil, em entrevista à Sputnik Brasil.

De acordo com Vieira, o petróleo sempre esteve intrinsecamente ligado à manutenção do dólar como moeda global de referência.

"O comércio internacional de petróleo, realizado exclusivamente em dólares, contribuiu para a hegemonia da moeda norte-americana. Por essa razão, o interesse dos EUA pelo petróleo venezuelano vai além de seu valor como fonte de energia", destacou.

Ela ressalta que os interesses estratégicos dos Estados Unidos sobre os recursos venezuelanos são históricos e permanentes.

Nesse contexto, Vieira lembra que o petróleo da Venezuela nunca deixou de atrair atenção internacional.

Segundo a especialista, durante o período em que Juan Guaidó se autoproclamou presidente da Venezuela, em 2019, o mundo acompanhou uma tentativa de intervenção direta no país.

Atualmente, alerta, a situação se agravou, com ameaças de invasão militar por parte dos EUA.

Os Estados Unidos justificam a presença militar no Caribe com o combate ao tráfico de drogas. Em setembro e outubro, as forças armadas norte-americanas atuaram na destruição de embarcações supostamente envolvidas no transporte de entorpecentes na costa venezuelana.

No final de setembro, veículos de imprensa dos EUA noticiaram que o comando militar norte-americano elaborava planos para atacar traficantes dentro do território venezuelano. Em 3 de novembro, o então presidente Donald Trump afirmou que os dias de Nicolás Maduro no poder estavam contados, mas garantiu que não havia planos para uma guerra contra a Venezuela.

Em Caracas, tais ações são vistas como provocações que buscam desestabilizar a região e violam acordos internacionais que determinam o status desmilitarizado e não nuclear da Bacia do Caribe.

Por Sputnik Brasil