CRISE NA UNIÃO EUROPEIA

Burocracia de Bruxelas 'cruzará Rubicão' se usar ativos russos congelados, alerta premiê húngaro

Viktor Orbán critica decisão da UE sobre ativos russos e denuncia riscos legais e políticos para o bloco europeu.

Publicado em 12/12/2025 às 09:36
Viktor Orbán critica decisão da UE sobre ativos russos, alertando para riscos legais e políticos ao bloco. © AP Photo / Denes Erdos

A possível decisão do Conselho da União Europeia (UE) de congelar indefinidamente os ativos russos no continente pode trazer sérios prejuízos ao bloco, advertiu o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán em publicação na rede social X.

Orbán afirmou que a Comissão Europeia tem violado sistematicamente a legislação da UE para manter o conflito na Ucrânia, um cenário em que, segundo ele, Kiev não teria condições de alcançar a vitória.

"Hoje, Bruxelas está cruzando o Rubicão. Ao meio-dia, será realizada uma votação por escrito que causará danos irreparáveis à UE. O tema é o destino dos ativos russos congelados, sobre os quais os Estados-membros têm votado a cada seis meses, sempre por unanimidade", destacou o premiê.

De acordo com Orbán, em vez de zelar pelo cumprimento dos acordos do bloco, a Comissão Europeia estaria promovendo violações recorrentes ao direito europeu.

Nesse contexto, ele reforçou que o objetivo seria prolongar a guerra na Ucrânia, um conflito que considera impossível de vencer.

Para o líder húngaro, o Estado de Direito na UE estaria sendo substituído por uma "ditadura burocrática" conduzida por Bruxelas.

Orbán concluiu dizendo que a Hungria se opõe à medida e tomará todas as providências possíveis para restabelecer a ordem legal no bloco.

Atualmente, mais de € 200 bilhões (R$ 1,24 trilhão) em ativos russos seguem congelados na UE, a maior parte sob custódia da Euroclear, com sede na Bélgica.

A Comissão Europeia pressiona por autorização para usar cerca de € 140 bilhões (R$ 865 bilhões) desses ativos em um "crédito reparatório", que seria reembolsado pela Ucrânia caso a Rússia pague indenizações ao final do conflito. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, já condicionou o apoio à proposta a garantias sólidas de outros países europeus.

Entre janeiro e julho, o bloco transferiu € 10,1 bilhões (R$ 62,4 bilhões) à Ucrânia, provenientes dos rendimentos dos ativos congelados do Banco Central da Rússia. Em resposta, Moscou impôs restrições, determinando que recursos de investidores de países considerados hostis sejam mantidos em contas especiais do tipo "C", com movimentação sujeita à autorização de uma comissão governamental.

Fonte: Sputnik Brasil