Vendaval? Tempestade? Como deve ser o clima neste verão
Verão 2025/2026 será influenciado pelo fenômeno La Niña, com temperaturas acima da média e chuvas irregulares.
O verão 2025/2026 deve ser marcado por temperaturas ligeiramente acima da média e distribuição irregular de chuvas, que podem ser intensas em alguns momentos. A estação será influenciada pelo fenômeno La Niña, o que deve impedir ondas de calor extremo, mas pode favorecer a ocorrência de tempestades. A nova estação começa no próximo dia 21.
De acordo com climatologistas, a probabilidade de ocorrência de ciclones extratropicais durante o verão é muito baixa, pois esse fenômeno é típico dos períodos mais frios do ano. A ocorrência recente de um ciclone extratropical em São Paulo, no fim da primavera, como o registrado na quarta-feira, 10, é considerada raríssima. No entanto, especialistas alertam que, diante das mudanças provocadas pelo aquecimento global, é difícil fazer previsões com 100% de certeza.
"Eventos raros com maior frequência"
"É quase impossível de dizer, mas, estatisticamente e historicamente, a maior parte dos ciclones extratropicais ocorre nos períodos mais frios do ano: outono, inverno e primavera", explica Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). "Este caso de agora, de um ciclone em dezembro, é muito raro, ainda mais com essa intensidade e posição; o problema é que agora temos eventos raros com maior frequência por conta das mudanças climáticas."
A climatologista Karina Lima, diretora científica do comitê nacional da Associação de Pesquisadores Polares em Início de Carreira (APEC-Brasil), reforça: "Vendaval é até comum", afirma. "Ciclone acho possível também."
La Niña
Análise técnica de meteorologistas do Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil de São Paulo indica que o verão será influenciado pelo fenômeno La Niña, com previsão de persistência até o fim da estação. Em anos de La Niña, as chuvas tendem a se deslocar do Sul para o Sudeste. Existe possibilidade de episódios de zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS), capazes de provocar dias de muita chuva no norte paulista.
As chuvas devem ocorrer de forma concentrada, geralmente associadas à passagem de frentes frias, o que pode gerar pancadas intensas em períodos curtos. A influência da La Niña também pode trazer variações bruscas de temperatura, com eventuais entradas de ar mais frio. A análise ressalta ainda que fenômenos severos, como tornados e ciclones, são menos comuns no verão, ocorrendo com mais frequência em estações de transição.
"Neste momento, diria que não vamos ter ciclones como o de quarta-feira no verão", afirma o climatologista Francisco Aquino, do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Acho que o que estamos vivendo agora é uma transição atrasada da primavera."