Satélite da Nasa revela extensão do ciclone extratropical que atingiu o Brasil
Fenômeno causou ventos históricos, chuvas intensas e deixou vítimas em vários estados; sistema já se afasta do país.
Imagens captadas pelo satélite meteorológico GOES-19, da Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa), revelam a dimensão do ciclone extratropical que atingiu o Brasil nesta semana. As imagens destacam a amplitude do fenômeno, evidenciando seu alcance sobre os estados afetados.
Formado na região Sul, o ciclone alterou as condições do tempo em diversas áreas, provocando tempestades e rajadas de vento. As chuvas e fortes ventos causaram danos em pelo menos dez municípios do Rio Grande do Sul e deixaram três vítimas em Santa Catarina.
Em São Paulo, o ciclone provocou um vendaval histórico, com ventos de até 98 km/h — a maior velocidade já registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) desde o início das medições, em 1963. A Defesa Civil do Estado contabilizou duas mortes, uma em Campos do Jordão e outra no Jardim Sapopemba, zona leste da capital paulista.
Segundo a Climatempo, o sistema já se afasta do país pelo Oceano Atlântico e não exerce mais influência sobre o tempo no território brasileiro.
Como se forma um ciclone?
O ciclone extratropical se forma a partir do encontro entre uma massa de ar quente e uma massa de ar frio em latitudes mais elevadas — um processo contínuo que, normalmente, ajuda a regular a temperatura do planeta. Por isso, os ciclones são frequentes. No entanto, na maioria das vezes, ocorrem sobre o mar e não costumam ser intensos, passando despercebidos. Com o aquecimento global, o aumento da temperatura e da umidade tem tornado esses fenômenos mais intensos, como observado nos últimos dias em São Paulo.
A formação e o desenvolvimento (ou, na linguagem da meteorologia, a ciclogênese) de um ciclone extratropical ocorrem em estágios definidos. O estágio inicial acontece em uma área de transição, onde há grandes diferenças de temperatura e umidade, com intenso cisalhamento do vento (diferenças substanciais de velocidade e direção em curtas distâncias). Forma-se, então, uma área de baixa pressão atmosférica — um "vácuo" para onde o ar tende a convergir.
Com a formação dessa área de baixa pressão, as massas de ar começam a interagir de forma mais organizada. O ar quente, menos denso, é forçado a subir sobre o ar frio, mais denso. Esse movimento ascendente do ar quente e úmido provoca a formação de nuvens carregadas e chuvas intensas. O sistema passa a girar no sentido horário no Hemisfério Sul (anti-horário no Hemisfério Norte).
O ciclone atinge sua intensidade máxima com um centro de baixa pressão bem definido e ventos fortes, que podem ultrapassar 90 km/h. A frente fria avança rapidamente, ocludindo (encontrando e levantando) a frente quente e formando uma frente oclusa.
Em determinado momento, o ar frio envolve completamente o centro de baixa pressão, cortando o suprimento de ar quente e úmido vindo da superfície. O sistema começa, então, a perder energia, as nuvens se dissipam gradualmente e os ventos diminuem até a dissolução completa do ciclone.
Os ciclones extratropicais costumam ser extensos, chegando a mais de mil quilômetros de abrangência, e sua duração pode variar de algumas horas a até dois ou três dias, dependendo da velocidade de deslocamento.