Fed não atinge meta de inflação dos EUA há cinco anos, diz dirigente
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, destaca desafios para equilibrar inflação e emprego, e defende política monetária mais restritiva.
Beth Hammack, presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, afirmou nesta sexta-feira, 12, que o banco central norte-americano está sem conseguir alcançar a meta de inflação há cinco anos.
Segundo a dirigente, o mercado de trabalho dos EUA apresenta um esfriamento gradual, com base em dados alternativos disponíveis, mesmo diante do represamento de indicadores oficiais causado pela paralisação das atividades do governo.
"Estou muito agradecida que os dados do governo estão retornando", disse Hammack durante evento na Universidade de Cincinnati. Ela destacou ainda que "equilibrar os dois mandatos do Fed é desafiador".
Hammack demonstrou confiança na solidez do sistema bancário: "Ter sistema bancário saudável permite que o fluxo de recursos chegue às famílias e às empresas".
A dirigente é uma das três integrantes do Fed que falaram publicamente nesta sexta-feira, após o corte da taxa de juros anunciado na quarta-feira.
Desvalorização do dólar
Hammack avaliou que a recente desvalorização do dólar reflete uma mudança alinhada às expectativas dos investidores, e não um abandono da moeda norte-americana.
Sobre a futura troca de comando no Federal Reserve, ela manifestou confiança de que o próximo presidente manterá o foco na meta de inflação de 2% e seguirá comprometido com o duplo mandato da instituição.
Política do Fed
Ela reconheceu que a inflação permanece elevada, mais próxima de 3% do que da meta de 2%. Diante desse cenário, Hammack afirmou que preferiria uma política monetária um pouco mais restritiva do que a atual.
"No momento atual, acredito que estamos mais perto da taxa neutra de juros", avaliou.
Por fim, Hammack ressaltou que acompanhará atentamente os próximos meses para observar se a inflação se modera e o emprego se estabiliza.