ECONOMIA GLOBAL

Dirigente do Fed avalia cenário para inflação dos EUA e cortes de juros

Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, diz que é preciso mais certeza sobre queda da inflação antes de reduzir juros e destaca otimismo moderado para 2026.

Publicado em 12/12/2025 às 13:22
Dirigente do Fed avalia cenário para inflação dos EUA e cortes de juros Reprodução

Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, afirmou que ainda é prematuro considerar a inflação atual nos Estados Unidos como "transitória" e ressaltou a necessidade de maior certeza antes de iniciar cortes nas taxas de juros.

Segundo Goolsbee, "não há nada de errado com o argumento de que a inflação pode cair no próximo ano", mas essa tendência precisa ser confirmada, especialmente após "leituras preocupantes" da inflação de serviços antes do shutdown.

Em entrevista à CNBC, ele destacou: "Não assumimos muito risco ao esperar até o 1º trimestre" para começar a reduzir os juros, o que permitiria ao Fed garantir que os preços estejam realmente cedendo.

O dirigente comentou que encontra "algum conforto nas medidas de mercado de inflação", que sugerem otimismo quanto ao rumo dos preços, e acrescentou que uma queda inflacionária "deve ser detectável no 1º trimestre". No entanto, reiterou a preocupação com a persistência da inflação.

Apesar da postura cautelosa, Goolsbee se classificou como "um dos mais otimistas do gráfico de pontos" e afirmou que projeta mais cortes de juros do que a mediana para o final de 2026, sem adotar uma posição "hawkish". Ele também espera que a taxa de desemprego permaneça "bastante estável", observando que a maioria dos indicadores do mercado de trabalho segue estável, embora a baixa contratação e demissão sinalizem incerteza maior do que um simples esfriamento econômico.

Goolsbee destacou ainda que os preços continuam sendo uma das principais preocupações de empresas e consumidores. Sobre possíveis pressões políticas, afirmou: "Não acho que o Fed esteja se preparando para um ataque de Donald Trump", reforçando o compromisso e a seriedade dos profissionais do Fed, essenciais para a independência da instituição.

Por fim, explicou que a retomada das compras de títulos pelo Fed tem caráter técnico, "para assegurar controle de juros", e não representa política monetária. No regime de reservas amplas, o balanço precisa crescer junto com a economia, pois, sem reservas suficientes, "não conseguimos definir juros onde queremos".