REGULAÇÃO DO MERCADO FINANCEIRO

CVM aponta 14 termos de acusação contra Banco Master, Reag e entidades relacionadas

Relatório da Comissão de Valores Mobiliários detalha processos, denúncias e irregularidades envolvendo instituições desde 2017

Publicado em 03/03/2026 às 20:29
Reprodução / Agência Brasil

O Banco Master e a Reag foram alvos de 14 termos de acusação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) desde 2017. O dado consta no relatório do Grupo de Trabalho do Banco Master, Reag e Entidades Conexas (GT) da reguladora, apresentado nesta terça-feira (2). Ao todo, foram analisados 314 processos instaurados a partir de 2017, sendo 131 abertos apenas em 2025.

As acusações abrangem desde falhas informacionais e descumprimento de deveres de divulgação até operações fraudulentas, incluindo sobrevalorização de ativos e manipulação de mercado.

Dos 314 processos analisados, 165 tiveram origem em fontes externas, principalmente denúncias feitas por pessoas físicas e jurídicas, além de comunicações da B3/BSM, do Banco Central e de outras autoridades.

O GT identificou ainda 13 comunicações formais da CVM a outras instituições, originadas de cinco superintendências distintas, no período de junho de 2017 a janeiro de 2026. O Ministério Público Federal foi o principal destinatário, seguido por Banco Central, Receita Federal, Susep, COAF e B3/BSM.

Segundo a CVM, "a pluralidade de remetentes e destinatários demonstra que os sinais de risco foram percebidos transversalmente e que a CVM mobilizou seus canais de cooperação interinstitucional ao longo do período".

O levantamento específico dos 87 fundos vinculados à Operação 'Carbono Oculto' revelou desvio significativo em relação à indústria: 33% de abstenções de opinião, contra 4% na indústria como um todo. Apenas 24% dos pareceres da amostra foram emitidos sem ressalva, percentual muito inferior ao registrado no setor (81%).

Além disso, a CVM identificou 65 ofícios de alerta emitidos por seis de suas superintendências, com destaque para a Superintendência de Relações com Investidores Institucionais (SIN), responsável por 48 desses ofícios, a maioria motivada pelo envio de informações incorretas ou intempestivas nos informes diários de fundos.