IMPOSTO DE RENDA

Imposto de Renda 2026 expõe cinco riscos que podem levar empresários e investidores à malha fina

Início da temporada de declaração reforça a necessidade de organização fiscal e atenção a rendimentos investimentos e criptoativos entre contribuintes da Baixada Santista

Por Carolina Lara Publicado em 13/03/2026 às 16:15

A temporada de declaração do Imposto de Renda costuma expor erros recorrentes entre empresários e investidores brasileiros. Em 2024, a Receita Federal registrou que 57,4% das retenções em malha fiscal ocorreram por problemas em deduções, enquanto 27,8% tiveram relação com omissão de rendimentos. 

Ao mesmo tempo, o número de investidores pessoa física continua em crescimento. A B3 encerrou 2025 com cerca de 5,5 milhões de brasileiros aplicando em renda variável, o que amplia a complexidade das declarações e exige maior atenção ao cruzamento de dados feito pelo Fisco.

Na Baixada Santista, onde a abertura de empresas cresceu 13,7% em 2025 e superou 10 mil novos registros, segundo dados do Governo do Estado de São Paulo, a declaração tende a envolver diferentes fontes de renda, como participação societária, distribuição de lucros, investimentos e aplicações digitais. 

Mayra Saitta, advogada especializada em direito empresarial e fundadora do Grupo Saitta, afirma que a falta de organização financeira continua sendo um dos principais fatores que levam empresários à malha fina. “A Receita cruza informações enviadas por bancos, empresas e corretoras. Quando há divergência entre renda declarada, patrimônio e movimentação financeira, o risco de inconsistência aumenta”, explica.

Segundo a especialista, outro ponto que exige atenção é a mistura entre finanças da empresa e da pessoa física, situação comum entre pequenos empresários. “Muitos empreendedores usam a conta da empresa para despesas pessoais ou deixam de registrar corretamente pró labore e distribuição de lucros. Isso cria distorções que aparecem na declaração”, afirma.

O avanço do número de investidores também tornou a declaração mais sensível. Operações em bolsa, aplicações no exterior e movimentações com criptoativos passaram a exigir maior detalhamento. A Receita Federal mantém regras específicas para declaração de ativos digitais e exige registro das operações realizadas ao longo do ano. “Existe a falsa impressão de que alguns investimentos ficam fora do radar, mas hoje o sistema de fiscalização é muito mais integrado”, diz.

Além do risco de inconsistências, a especialista destaca que a organização da declaração também pode trazer benefícios financeiros ao contribuinte. Quem reúne documentos com antecedência e preenche a declaração corretamente tende a receber restituição mais rapidamente e evitar processos de revisão fiscal. “Fazer a declaração de forma estruturada não significa apenas cumprir uma obrigação legal. Também pode representar recuperação mais rápida de valores pagos a mais ao longo do ano”, afirma.

Cinco alertas para empresários e investidores na declaração do Imposto de Renda

O primeiro ponto de atenção é reunir todos os informes de rendimento antes de iniciar o preenchimento da declaração. Bancos, corretoras, empresas e planos de saúde fornecem documentos que precisam ser compatíveis com os dados enviados à Receita.

Outro cuidado envolve a declaração correta de pró labore e distribuição de lucros. Misturar receitas da empresa com rendimentos pessoais pode gerar inconsistências no cruzamento de dados.

Também é importante registrar todas as operações de investimento. Ações, fundos, aplicações no exterior e criptoativos possuem regras próprias de tributação e precisam ser informados corretamente, mesmo quando houve prejuízo.

A revisão das deduções declaradas é outro ponto crítico. Despesas médicas, educacionais e dependentes estão entre os itens que mais geram retenções em malha fiscal quando não possuem comprovação adequada.

Por fim, especialistas recomendam atenção à evolução patrimonial. O aumento de bens e investimentos deve ser compatível com a renda declarada, evitando divergências que possam despertar questionamentos do Fisco.

Para Mayra Saitta, a declaração do Imposto de Renda deixou de ser apenas uma obrigação anual e passou a refletir sobre a organização financeira do contribuinte. “Empresários e investidores precisam olhar para a declaração como um retrato completo da vida financeira. Quando tudo está estruturado e documentado, o processo se torna mais seguro e até mais vantajoso”, afirma.

Ela acrescenta que a preparação antecipada costuma ser a melhor estratégia para evitar problemas. “Quanto mais cedo o contribuinte reúne documentos e revisa suas informações financeiras, menores são as chances de erro e maiores são as possibilidades de restituição sem atraso”, conclui.