ECONOMIA E POLÍTICA MONETÁRIA

Conservadorismo do BC em 2025 dá margem para avaliar cenário atual, diz Galípolo

Presidente do Banco Central destaca que postura cautelosa permite analisar impactos do conflito no Oriente Médio sobre a economia brasileira.

Publicado em 26/03/2026 às 12:53
Conservadorismo do BC em 2025 dá margem para avaliar cenário atual, diz Galípolo Pedro França/Agência Senado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 26, que o BC brasileiro encontra-se atualmente em uma posição vantajosa, o que permite à instituição observar com mais cautela os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus possíveis reflexos na economia nacional. Segundo ele, essa condição é resultado do fato de o Brasil ser exportador de petróleo e de a taxa de juros estar em patamar bastante contracionista.

"O conservadorismo que o Banco Central Brasileiro adotou ao longo do ano de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se não tivesse sido conservador", afirmou Galípolo. Ele acrescentou que essa postura proporciona uma "gordura" para que a autoridade monetária possa analisar com mais profundidade os impactos do cenário internacional.

A declaração foi feita durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre de 2026.

"Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias", destacou o presidente do BC, reforçando que a condução da política monetária seguirá de maneira cautelosa.

Galípolo ponderou que, embora o Brasil seja exportador de petróleo, ainda depende da importação de diversos ativos. Por isso, ressaltou a importância de acompanhar a evolução dos preços desses produtos a partir de agora.

Ele enfatizou também a necessidade de observar os efeitos de segunda ordem do petróleo, diante de uma economia resiliente, e frisou que é preciso tempo para compreender melhor os riscos presentes no balanço econômico.

Consignado privado

O presidente do Banco Central destacou ainda o crescimento expressivo das concessões de crédito a partir da nova modalidade de consignado para trabalhadores do setor privado, lançada pelo governo no ano passado. "Você vê o consignado privado crescendo com taxas bastante altas, acima de 50%, 60% quase, porque você está restringindo uma oferta que existia antes, e colocando pessoas que antes não tinham acesso a crédito", explicou.

Segundo Galípolo, esses novos tomadores de crédito possuem um "score" um pouco inferior, o que eleva o custo do crédito.

Ele também comentou que, atualmente, o "arranjo" de tomada de crédito no Brasil não favorece o funcionamento da política monetária, já que os custos permanecem elevados.

"As pessoas tomam o crédito emergencial como uma renda disponível para elas. E esse é o crédito mais caro que existe, é o crédito que deveria ser utilizado só em condições emergenciais", finalizou Galípolo.