JUSTIÇA

Mendonça afirma não ter tido acesso à proposta de delação de Vorcaro

Ministro do STF reforça necessidade de seriedade em colaborações premiadas e diz que não analisou material entregue à PGR e PF

Publicado em 07/05/2026 às 19:33
Ministro André Mendonça, do STF, esclarece que não teve acesso à proposta de delação de Daniel Vorcaro.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (7) que uma colaboração premiada deve ser "séria e efetiva".

A declaração foi divulgada pelo gabinete do ministro após reportagens indicarem que Mendonça teria sinalizado aos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que não pretende homologar os atuais termos da proposta de delação apresentada ontem à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF).

Na nota enviada à imprensa, Mendonça afirmou que não teve acesso ao material entregue aos órgãos, mas ressaltou que uma colaboração premiada só é válida se gerar resultados concretos.

“O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada. A colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado. Para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva”, declarou.

Mendonça também destacou que as investigações relacionadas ao caso Master prosseguirão normalmente, independentemente de delações.

“Cabe esclarecer, ainda, que o ministro, até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”, completou.

Daniel Vorcaro está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília.

No dia 4 de março, o banqueiro voltou a ser preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF, que apura fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).

André Mendonça autorizou a prisão de Vorcaro após novos dados da investigação indicarem que ele teria orientado outros acusados a intimidar jornalistas, ex-funcionários e empresários, além de ter tido acesso prévio ao conteúdo das investigações.

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