POLÍTICA MONETÁRIA

Fed retira orientação sobre próximos passos e mantém taxa de juros

Comunicado divulgado sob a presidência de Kevin Warsh ficou mais enxuto e fixou os Fed Funds entre 3,5% e 3,75%

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 16:04

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) fez uma revisão ampla no comunicado de política monetária divulgado nesta quarta-feira, 17. Sob a presidência de Kevin Warsh, o texto deixou de trazer referências explícitas a eventuais ajustes futuros nos juros e passou a adotar uma redação mais enxuta.

A principal alteração foi a exclusão do trecho em que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) afirmava que avaliaria “a magnitude e o momento de ajustes adicionais” na taxa dos Fed Funds.

Também foram retiradas as menções ao acompanhamento contínuo dos riscos para a economia e à possibilidade de ajuste da política monetária caso fosse necessário.

Com as mudanças, o comunicado não apresenta orientação futura sobre a trajetória da política monetária e se limita a informar a manutenção da taxa de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%.

Em abril, a referência a possíveis ajustes futuros havia provocado a dissidência de três presidentes de distritais: Austan Goolsbee, de Chicago; Beth Hammack, de Cleveland; e Lorie Logan, de Dallas. Na ocasião, eles divergiram do tom da declaração e defenderam que o texto do Fed não deveria indicar novas flexibilizações dos juros em meio ao cenário de incerteza.

O Fed também modificou sua avaliação sobre a economia. No lugar de afirmar que os ganhos de emprego permaneciam baixos, como no comunicado anterior, a autoridade monetária passou a dizer que a criação de vagas acompanha o crescimento da força de trabalho.

Além disso, o banco central destacou pela primeira vez que o crescimento da produtividade e os investimentos de capital seguem fortes.

Na avaliação sobre a inflação, o Fed deixou de mencionar a recente alta dos preços globais de energia e passou a atribuir as pressões inflacionárias a choques de oferta que atingiram diversos setores, incluindo energia.

O comunicado também substituiu o compromisso de levar a inflação de volta à meta de 2% por uma formulação mais direta, segundo a qual o Comitê “entregará estabilidade de preços”.