Lula defende eleições brasileiras e responde a declarações de Trump no G7
Presidente dos EUA chamou o Brasil de “país politicamente difícil”; Lula também criticou gastos com armas e a falta de voz dos convidados no encontro
Lula afirmou, nesta quarta-feira (17), durante a edição de 2026 da Cúpula do G7, em Évian, na França, que os Estados Unidos deveriam aprender com o Brasil sobre eleições mais tranquilas, leves e menos conturbadas.
Ao comentar o sistema eleitoral brasileiro, Lula destacou a rapidez da apuração por meio das urnas eletrônicas.
“Não tem país no mundo que tem um sistema de urna eletrônica como o nosso. Em menos de duas horas após terminar as eleições, já sabemos o resultado em 27 estados da federação, quem é o presidente eleito, senadores e deputados. A gente não fica como no século passado com voto no papel uma lista com 500 nomes. Se tem alguém que tem que aprender com eleições civilizadas no Brasil, é meu amigo Trump”, declarou Lula. “Na próxima vez vou levar uma urna eletrônica para ele ver como funciona”, ironizou.
Lula também disse que Trump pode estar sendo influenciado por fugitivos brasileiros, como o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, dono da Refit, apontado no texto original como o maior sonegador de impostos do Brasil.
Ao tratar da soberania digital dos países, Lula defendeu o Pix como exemplo de infraestrutura digital pública. Trump vem criticando o Pix nos últimos meses por prejudicar empresas estadunidenses de cartão de crédito.
Trump chama Brasil de “país politicamente difícil”
Mais cedo, Trump se encontrou com Lula no evento e classificou o Brasil como um “país politicamente difícil” durante coletiva de imprensa.
Segundo Trump, os dois conversaram sobre temas como a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, embora ele não tenha detalhado o conteúdo do diálogo.
Na fala, Trump mencionou de forma imprecisa a situação de um integrante da família Bolsonaro ao citar a prisão de “Bolsonaro Jr.”. A declaração indicou possível confusão entre nomes e incluiu comentários sobre o cenário político brasileiro.
Lula critica encontro do G7
Na coletiva de imprensa, Lula criticou o fato de os países convidados não terem voz na elaboração do documento final do encontro do grupo.
Ele também afirmou que o grupo falhou em reduzir as guerras no mundo e citou que, apenas em 2025, foram investidos US$ 3 trilhões em armas de guerra, “e nem 10% disso para acabar com a fome”.
Segundo Lula, a União Europeia, o Reino Unido e outros países ampliaram os investimentos em armamentos, que chegam a cerca de 800 bilhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4,69 trilhões.
Lula ainda citou os 15 bilhões de euros, cerca de R$ 87,9 bilhões, gastos anualmente pela Alemanha com a guerra na Ucrânia, e afirmou que esses recursos poderiam ser investidos na América Latina e na África.
China e EUA: Brasil não mete a colher
Lula acrescentou que a ausência dos EUA e da União Europeia abriu espaço para a expansão da China, mas afirmou que o Brasil não quer se meter na disputa entre as duas potências.
Por Sputinik Brasil