FRETE RODOVIÁRIO

Indústria calcula alta de 16,4% no frete com política de pisos mínimos

Levantamento da CNI ouviu 1.571 empresas e aponta impacto maior para pequenas e médias empresas do Nordeste

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 16:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Correção: a matéria publicada anteriormente continha uma imprecisão no título e no primeiro parágrafo. A percepção da indústria é de que a política de pisos mínimos, instituída pela Lei 13.703/20218, deve elevar os custos do frete para a indústria em 16,4%, e não a Medida Provisória 1.343/2026, como constou no texto publicado. Seguem texto e título corrigidos, com a retirada do trecho adicional original que explicou a ação do deputado Zé Trovão (PL-SC), relator da MP 1.343/2026, que protocolou no final de terça-feira, 16, o parecer com projeto de lei de conversão (PLV) sem o incentivo — que resultaria em renúncia fiscal ao governo federal — para empresas que contratarem caminhoneiros independentes diretamente.

A política de pisos mínimos elevados, em média, 16,4% dos custos do frete rodoviário em comparação com um cenário de negociação livre, segunda avaliação da indústria. O dado consta em estudo divulgado quarta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizado com 1.571 empresas industriais entre os dias 1º e 13 de abril.

De acordo com o levantamento, o impacto deverá ser ainda maior para pequenas e médias empresas no Nordeste do País. Nesse recorte, a alta no custo com os impactos da política dos pisos mínimos pode chegar a 19% entre pequenas empresas e a 18% entre as médias. Nas grandes empresas, o aumento é de 14%.

A percepção dos efeitos também muda conforme a região. As empresas localizadas no Nordeste registraram o maior aumento médio nos custos de transporte, de 20,3%, seguidos pelas do Norte, com 17,2%.

“Os resultados sugerem que características logísticas dessas regiões, como a maior dependência do transporte rodoviário e a relevância das operações de frete de retorno, ampliam os efeitos da política de pisos mínimos sobre os custos das empresas”, afirma a pesquisa.

A sondagem aponta ainda que 94% das empresas industriais que contratam transporte rodoviário identificam impactos negativos da política de pisos mínimos sobre os custos do frete. Além disso, 64% classificam esses efeitos como altos ou muito altos.

Segundo a CNI, oito em cada dez empresas consideram que a metodologia utilizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para definir os pisos mínimos é parcial ou totalmente desalinhada da realidade operacional do setor.

A entidade também constatou que o tabelamento do preço do frete causa impactos mais expressivos em setores nos quais a logística representa parcela relevante dos custos de produção. Os efeitos devem ser sentidos nos maiores segmentos de extração mineral e de produtos minerais não metálicos, como fertilizantes, sal, gesso e cerâmica, com aumento médio próximo de 23% nos custos de transporte.

Também foram observados aumentos acima da mídia nacional nos setores de produtos alimentícios e de máquinas e equipamentos.

A CNI afirma ainda que a Medida Provisória 1.343/2026, a MP do Frete, em discussão no Congresso, ampliou as preocupações da indústria ao fortalecer os mecanismos de fiscalização e suportar as deliberações para o descumprimento da tabela de fretes.

Entre as empresas que afirmam conhecer a medida, 85% apontam a elevação dos custos de transporte como principal preocupação. Outros 57% citam perda de competitividade, enquanto 35% mencionam riscos de insegurança jurídica.

A entidade defende alterações na MP durante sua tramitação no Congresso Nacional. A medida foi avaliada em comissão especial nesta quarta-feira, 17.