MERCADO FINANCEIRO

Juros futuros avançam com reavaliação sobre política monetária nos EUA

Comunicado do Federal Reserve elevou a cautela dos investidores antes da decisão do Copom sobre a Selic

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/06/2026 às 18:15
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Os juros futuros subiram com força nesta Superquarta, em meio ao aumento dos ruídos sobre o acordo entre Estados Unidos e Irã e, principalmente, à leitura mais dura do comunicado do Federal Reserve (Fed), que provocou uma reprecificação das apostas para os juros americanos.

No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2031 avançava de 14,296% na terça-feira, no ajuste, para 14,570%. O DI para janeiro de 2029 passou de 14,403% para 14,685%. Já o DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,640%, ante 14,428%, enquanto o DI para janeiro de 2027 subia de 14,256% para 14,320%.

Na primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) sob o comando de Kevin Warsh, os juros foram mantidos na faixa entre 3,50% e 3,75%, como amplamente esperado. Ainda assim, os mercados reagiram negativamente à elevação generalizada das medianas para os juros nos próximos anos, segundo o gráfico de pontos.

O Fomc divulgou um comunicado enxuto e evitou deixar guidance para a política monetária. Com isso, a maior parte das apostas para o aperto nos juros migrou de outubro para dezembro.

Embora o comitê não tenha sinalizado seus próximos passos, a percepção no mercado é de que o caminho para um aperto monetário capaz de trazer a inflação de volta à meta de 2% está aberto. Essa leitura foi reforçada não apenas pelo comunicado, mas também pelas declarações de Warsh na entrevista coletiva e do presidente Donald Trump.

Crítico da gestão de Jerome Powell por não reduzir juros, Trump admitiu que o banco central pode elevar as taxas ainda este ano. "Pode acontecer", afirmou.

"Parecia haver uma restrição política para subir juros antes das eleições, mas parece que não há mais. O mercado está precificando alta em outubro já", afirmou o economista da Meraki, Rafael Ihara.

O mercado interpretou a postura de Warsh como firme em relação ao objetivo de estabilidade de preços. Ele admitiu que a inflação "está bem acima da meta" e afirmou que a função do Fed é garantir que não haja efeitos de segunda ordem sobre os preços. "Temos a capacidade e o compromisso de manter a inflação em 2%", declarou.

O economista-chefe da CVPar, Marcelo Fonseca, afirmou que havia alguma desconfiança de que o Fed, sob o comando de Warsh, pudesse ceder à pressão de Trump por corte de juros. "Mas o Fomc manteve o compromisso com a estabilidade de preços e parece seguir olhando atentamente para o mandato da inflação", disse.

É nesse ambiente de cautela externa que o Copom decidirá logo mais sobre o futuro da Selic. Nas opções digitais da B3, a aposta de redução de 14,50% para 14,25% aparecia no fim da tarde com 77% de probabilidade, contra 23% de chance de manutenção.

Inspirado pelo Fomc, o Copom também pode evitar indicar qualquer guidance para a política monetária. "O BC já se comprometeu demais com esse movimento e vai entregar o corte de 0,25 pp, que é consenso por parte do mercado. A partir daí, acho que ele vai deixar de sinalizar, assim como fez o Fed, abandonando o forward guidance. Vai deixar de fazer sua sinalização futura e adotar uma postura de observância aos dados", afirmou Fonseca.

Para o economista-chefe da CVPar, o Banco Central deveria manter a Selic estável na reunião desta quarta-feira, mas não deve fazê-lo.

Antes da decisão do Fed, as taxas rondavam a estabilidade, mas já haviam subido pela manhã em meio às dúvidas sobre a formalização do acordo entre Estados Unidos e Irã, depois que Trump alertou sobre a possibilidade de Teerã não assinar o pacto. "Não quero bombardear o Irã de novo, mas talvez seja preciso", ameaçou.

Os ruídos geopolíticos, no entanto, ficaram em segundo plano após a divulgação do comunicado do Fed.

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