Professores da UFF avaliam interesses por trás do Destino Manifesto dos EUA
Em entrevista à Sputnik Brasil, analistas afirmam que a antiga ideia de missão divina perdeu força diante da defesa mais direta de interesses materiais
O Destino Manifesto foi uma crença do século XIX que sustentava a ideia de que os Estados Unidos tinham uma missão divina de expandir seu território e levar civilização a outros povos, incluindo aqueles considerados inferiores pelos norte-americanos da época.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Roberto Moll Neto, professor de história da América da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirmou que essa missão de “salvar o mundo” encobria interesses materiais, sobretudo da burguesia estadunidense.
Segundo a análise apresentada, esse processo contribuiu para a piora das condições de vida de muitos trabalhadores americanos. Parte deles passou a apoiar Donald Trump, que prometia reindustrializar o país e recuperar empregos industriais.
Para Tatiana Poggi, professora de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), o conceito de Destino Manifesto perdeu força, já que os países centrais passaram a defender seus interesses de maneira mais direta, sem recorrer a justificativas desse tipo.
“Por exemplo, Donald Trump, em sua ameaça de invasão à Groenlândia, ao Canadá, ao canal do Panamá, em todas elas, um argumento de Destino Manifesto não estava colocado ali. Era simplesmente: ‘Esses são os nossos interesses’”, afirmou Poggi.
A professora também destacou que empresas de tecnologia, bilionários e grandes conglomerados financeiros têm demonstrado de forma cada vez mais aberta que seus interesses não estão voltados à preservação da humanidade.