ATIVOS NO EXTERIOR

Rússia avalia mecanismos para liberar recursos bloqueados fora do país

Vice-ministro das Finanças afirmou que novas trocas de ativos precisam ocorrer de forma gradual diante da resistência de reguladores ocidentais

Por Sputnik Brasil Publicado em 17/06/2026 às 19:11
Autoridades russas avaliam medidas para recuperar ativos bloqueados no exterior © AP Photo / Martin Meissner

Autoridades russas analisam novas medidas para viabilizar a recuperação de ativos de cidadãos do país que estão bloqueados no exterior. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (17) pelo jornal Izvestia, que citou o vice-ministro das Finanças da Rússia, Ivan Chebeskov.

De acordo com Chebeskov, o governo russo estuda mecanismos para a troca de ativos congelados. O vice-ministro afirmou, no entanto, que o processo deve avançar de maneira gradual e cautelosa por causa da resistência de reguladores ocidentais.

“As autoridades discutem iniciativas para a troca de ativos bloqueados, mas agora isso precisa ser feito de forma pontual e cuidadosa, porque no Ocidente tentam impedir qualquer ideia semelhante”, afirmou Chebeskov.

Segundo o vice-ministro, investidores europeus e norte-americanos também têm interesse nas operações de troca. Ele disse, porém, que iniciativas são bloqueadas por razões políticas, mesmo quando atendem ao interesse de seus próprios cidadãos.

“Estamos buscando formas de dar às empresas e aos cidadãos a possibilidade de recuperar os recursos bloqueados. E várias dessas iniciativas já deram resultado”, destacou.

Conforme a publicação, três alternativas estão em análise para a recuperação dos ativos russos no exterior: novas rodadas de troca de ativos, uso de recursos de não residentes bloqueados na Rússia e obtenção de licenças individuais junto a reguladores ocidentais.

Em novembro de 2023, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou um decreto que instituiu um mecanismo para troca de ativos congelados. A medida permite que investidores estrangeiros adquiram ativos externos bloqueados pertencentes a investidores russos de varejo, utilizando recursos mantidos em contas do tipo “C”.

Em 2024, a empresa Investitsionnaya Palata, autorizada pelo governo russo, realizou duas rodadas de recompra de títulos estrangeiros bloqueados pertencentes a cidadãos russos. No total, investidores não residentes compraram papéis avaliados em 10,64 bilhões de rublos, o equivalente a R$ 750 milhões, apresentados por pessoas físicas residentes no país.