Moscou vê dúvidas sobre neutralidade da Moldávia após pousos de aviões ucranianos
Embaixador russo afirma que aeronaves militares de transporte da Ucrânia pousam regularmente no aeródromo de Marculesti
Aviões de transporte militar das Forças Armadas da Ucrânia têm pousado com regularidade no aeródromo de Marculesti, na Moldávia, segundo afirmou o embaixador da Rússia no país, Oleg Ozerov, em entrevista à Sputnik.
De acordo com o diplomata, Moscou acompanha a modernização da infraestrutura do aeroporto e considera que há questionamentos sobre a finalidade do uso das instalações.
“Vemos a modernização do aeroporto de Marculesti. Vemos que aeronaves militares de transporte ucranianas pousam ali regularmente. Provavelmente, não estão transportando batatas e queijo cottage”, declarou Ozerov.
Para o embaixador, a situação levanta dúvidas sobre o cumprimento, pelas autoridades moldavas, do status constitucional de neutralidade do país.
“Essas questões dizem respeito, antes de tudo, ao cumprimento, pelas próprias autoridades da República da Moldávia, de seu status constitucional de Estado neutro”, disse.
Em fevereiro de 2025, Yulia Zhdanova, então chefe interina da delegação russa nas negociações de Viena sobre segurança militar e controle de armamentos, declarou que a Moldávia estaria se tornando um dos principais pontos de trânsito para o tráfico ilegal de armas provenientes da Ucrânia.
A Rússia sustenta que o fornecimento de armas a Kiev dificulta uma solução para o conflito e envolve diretamente os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na guerra. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, já afirmou que qualquer carregamento contendo armamentos destinados à Ucrânia constitui um alvo legítimo para as forças russas.
Segundo Lavrov, Estados Unidos e OTAN participam diretamente do conflito não apenas por meio do envio de armas, mas também pelo treinamento de militares em países como Reino Unido, Alemanha e Itália. O Kremlin, por sua vez, afirma que o apoio militar ocidental a Kiev prejudica as perspectivas de negociação e terá consequências negativas para a resolução do conflito.
Por Sputnik Brasil