ENERGIA

Opep aponta Brasil como destaque na expansão da oferta de petróleo

Relatório projeta alta da produção brasileira com novos projetos do pré-sal e campos em águas ultraprofundas

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 10:42
Opep

O Brasil deve estar entre os principais responsáveis pelo crescimento da oferta global de petróleo nos próximos anos, segundo o relatório Perspectivas Mundiais de Petróleo (WOO, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira (18) pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

No documento, a entidade cita o País ao lado de Catar, Argentina e Canadá como um dos motores da expansão da produção fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo formado por integrantes da Opep e aliados.

De acordo com a Opep, a oferta de líquidos dos produtores que não fazem parte da DoC deve avançar cerca de 4,1 milhões de barris por dia (bpd) até 2030, chegando a 58,2 milhões de bpd. A expansão será puxada principalmente por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos.

A maior relevância atribuída ao Brasil ocorre em um cenário de revisão das perspectivas para os Estados Unidos. A Opep informou que reduziu a estimativa para o potencial de crescimento da produção americana de petróleo de xisto e passou a considerar que esse segmento pode ter atingido seu pico em 2025.

No relatório do ano passado, a expectativa era de continuidade da expansão até 2030. A organização destaca que, embora os Estados Unidos fossem apontados no WOO 2025 como o principal impulsionador do crescimento da oferta fora da DoC no médio prazo, sua contribuição foi reduzida de forma significativa na edição deste ano.

Segundo a Opep, a produção brasileira de líquidos deve seguir em alta com o avanço dos projetos do pré-sal. A oferta de petróleo bruto do País é estimada em 3,7 milhões de bpd em 2025 e deve chegar a 4,4 milhões de bpd em 2030, com apoio da entrada em operação de novas plataformas e do desenvolvimento de campos em águas ultraprofundas.

A entidade também projeta que o Brasil será o segundo maior contribuinte para o aumento da oferta entre os produtores fora da DoC no período de 2025 a 2050. No longo prazo, a produção brasileira de líquidos deve atingir um pico próximo de 5,8 milhões de bpd no início da década de 2040, antes de recuar moderadamente para 5,6 milhões de bpd em 2050.

O relatório ressalta ainda a importância crescente da América Latina para o abastecimento global. Conforme a Opep, a região deve responder por quase 75% do aumento líquido da oferta entre os produtores fora da DoC até 2050, impulsionada principalmente por Brasil e Argentina.