MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa oscila com pressão de commodities e leitura do Copom

Bolsa tenta se recuperar após quatro quedas seguidas, enquanto investidores avaliam juros no Brasil, nos EUA e no Reino Unido

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 11:41
ibovespa ações Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

O ambiente externo mais calmo, após a confirmação da assinatura do acordo de paz provisório entre Estados Unidos e Irã, não foi suficiente para dar impulso mais firme ao Ibovespa nesta quinta-feira, 18, depois de quatro sessões consecutivas de queda.

A cautela no início do pregão foi reforçada pelo recuo do petróleo, com queda de 3,48% no Brent e de 4,095 no WTI, além da baixa de 1,13% do minério de ferro em Dalian. No mercado doméstico, investidores também analisam o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom).

Na quarta-feira, 17, o colegiado do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. O texto, porém, trouxe sinais considerados divergentes sobre os próximos passos da taxa básica de juros. "Não deu nenhum direcionamento claro", afirmou Bruna Centeno, economista, advisor e sócia da Blue3 Investimentos.

Nos Estados Unidos, segundo Centeno, o tom positivo reflete a assinatura do acordo de paz provisório entre EUA e Irã, além da postura mais dura do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

No Brasil, Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, avalia que o principal ponto de atenção é a repercussão do comunicado do Copom, considerado confuso. Segundo ele, o Banco Central reconheceu a piora do cenário inflacionário, com inflação e expectativas mais elevadas, atividade em aceleração e riscos adicionais ligados a estímulos à demanda e ao clima. Ao mesmo tempo, usou elementos pouco usuais, como a antecipação do horizonte relevante, para justificar o corte de juros e manter aberta a possibilidade de novas reduções.

Antes da decisão do Copom, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano nos EUA, conforme esperado. Na primeira decisão sob comando do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, o dirigente surpreendeu o mercado ao adotar um tom mais duro, sugerindo alta das taxas ainda em 2026. Nesta quinta-feira, o Banco da Inglaterra também manteve sua taxa básica de juros inalterada em 3,75%, como previsto.

Na manhã desta quinta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ver espaço para novos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central. "Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso, sem dúvida nenhuma, é uma competência do Banco Central", disse, em entrevista ao portal Metrópoles.

No comunicado, o Copom surpreendeu ao mencionar o primeiro trimestre de 2028 já no texto de junho, embora esse período só passasse a ser horizonte relevante a partir da próxima reunião. Essa rolagem de horizonte ajudaria a explicar a redução anunciada na quarta-feira, mesmo com a alta da projeção do próprio Banco Central para a inflação de 2027, de 3,5% para 3,7%, e com o aumento das expectativas do mercado.

Para Bruna Centeno, a antecipação indica que o Copom demonstra preocupação. Nesse contexto, afirma a economista da Blue3, o colegiado também revisou suas projeções para a inflação, movimento que já havia sido antecipado pelo mercado.

No comunicado, o Banco Central elevou sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 4,6% para 5,2%. No Focus divulgado na segunda-feira, 15, a mediana para o IPCA deste ano subiu de 5,11% para 5,30%.

Para a 4Intelligence, a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária, previstos para a próxima semana, devem esclarecer as simulações com trajetórias alternativas de juros consideradas na decisão do colegiado.

"Nossa avaliação é que os modelos oficiais indicarão espaço bastante estreito, possivelmente inexistente, para novos cortes. Assim, projetamos manutenção da Selic em 14,25% ao ano até, ao menos, meados de 2027", informou a consultoria em nota.

Segundo Igor Monteiro, CEO da EqSeed, a leitura do comunicado é que o Banco Central iniciou uma redução gradual dos juros, mas sem indicar pressa. "Houve espaço para o corte agora, porém ainda não há segurança suficiente para assumir um ritmo contínuo de redução da Selic", afirmou em nota.

Na quarta-feira, o Índice Bovespa fechou em queda de 0,70%, aos 168.453,93 pontos. Nesta quinta, abriu aos 168.466,84 pontos, em alta de 0,01%, renovou mínima aos 167.913,41 pontos, com baixa de 0,32%, e depois passou ao campo positivo, alcançando máxima de 169.223,81 pontos, alta de 0,46%.

Em Nova York, o destaque era o Nasdaq, com avanço de 1,30%. O S&P 500 subia 0,90%, enquanto o Dow Jones registrava alta de 0,38%.