FMI vê risco fiscal em medidas contra choque de energia
Fundo aponta quase 900 ações em cerca de 170 países desde o início da guerra e alerta para desafios na retirada de apoios
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que o choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio levou governos a adotar medidas pouco direcionadas e potencialmente caras em um cenário de orçamentos pressionados.
Segundo a instituição, caso as conversas de paz recentes resultem em rápida normalização do comércio e dos fluxos de petróleo, muitos países terão de enfrentar o desafio de retirar programas de apoio sem gerar turbulência social e econômica.
O FMI registrou quase 900 medidas adotadas em cerca de 170 países desde o início da guerra, envolvendo economias avançadas e emergentes. A resposta tem sido marcada principalmente por políticas fiscais, com governos tentando reduzir o impacto dos preços mais altos ao limitar o repasse para consumidores e empresas.
De acordo com o Fundo, a composição e a sequência das ações lembram as respostas ao choque energético de 2022. O contexto atual, porém, é considerado mais adverso, com aumento dos custos de serviço da dívida e espaço fiscal ainda limitado, o que torna o desenho das políticas mais decisivo.
Nas economias avançadas, quase metade das medidas corresponde a subsídios para produtores e distribuidores de energia. Já nas economias emergentes, o conjunto de ações fiscais é mais variado, com ampliação de controles de preços e outras intervenções administrativas.
Em regiões como Oriente Médio e Ásia Central, instrumentos monetários e financeiros têm peso maior. Na África, predominam ações sobre preços e oferta. Em partes da Ásia, há gestão da demanda, incluindo conservação e racionamento.
O FMI também aponta que alguns governos adotaram o caminho considerado mais sustentável, embora politicamente difícil, ao permitir a alta de preços administrados, reduzir subsídios ou suspender mecanismos de suavização de preços.
“Essas medidas preservam sinais de mercado e contêm custos fiscais, mas exigem redes de proteção robustas para amparar famílias vulneráveis”, pondera a instituição.