SAÚDE PÚBLICA

Saúde anuncia PADI Brasil com quase R$ 500 milhões para atendimento domiciliar de idosos

Programa será voltado a idosos com limitações funcionais e já teve pedido de adesão de mais de 2.700 municípios

Por Sputnik Brasil Publicado em 18/06/2026 às 19:12
Ministro Alexandre Padilha anuncia programa de cuidado domiciliar a idosos © Vinícius Fernandes/Sputnik Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quinta-feira (18), durante agenda no Rio de Janeiro, investimentos para ampliar o atendimento domiciliar a idosos e destacou a atuação do Brasil em debates internacionais sobre regras para futuras pandemias.

O Ministério da Saúde informou que está reforçando ações em três frentes para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS): no país, com atendimento especializado na residência de idosos brasileiros; e, no exterior, com a articulação de acordos para reduzir desigualdades em crises sanitárias e parcerias relacionadas a programas da pasta, como o Mais Médicos e o Mais Especialistas.

Nesse contexto, Padilha anunciou o PADI Brasil, Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, associado ao envelhecimento da população brasileira e à necessidade de modernização da saúde pública.

PADI Brasil: atenção domiciliar para idosos

O envelhecimento populacional é apontado como um dos principais desafios das próximas décadas. Segundo o Ministério da Saúde, o PADI Brasil é a primeira estratégia nacional exclusiva para idosos com limitações funcionais. A expectativa de vida no país chegou a 76 anos e seis meses em 2024, e 80% dos idosos brasileiros dependem exclusivamente do SUS.

De acordo com a pasta, o programa terá investimento de quase R$ 500 milhões em recursos federais até 2027. Mais de 2.700 municípios já solicitaram adesão. A estimativa é de que sejam formadas mais de 3.300 equipes multiprofissionais, compostas por médicos, geriatras, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas.

“A gente calcula hoje tem cerca de 3 milhões de idosos acamados no Brasil, que são acompanhados, cadastrados pelas equipes de Atenção Primária em Saúde do SUS. Então, já de início desse programa, a gente consegue atender ainda mais da metade desses cerca de 3 milhões de idosos em todo o país. Junto com Farmácia Popular que garante remédio para a hipertensão, diabetes e as fraldas geriátricas, junto com o ‘Agora Tem Especialistas’ que estão reduzindo o tempo das pessoas, na espera das pessoas para uma cirurgia, para cirurgia de catarata, para os exames especializados, a gente está reorganizando o SUS para cuidar melhor dos idosos do nosso país”, afirmou o ministro.

Durante o lançamento, a médica Guilhermina Maria Galvão Siqueira Gomes, pioneira da atenção domiciliar na cidade do Rio de Janeiro nos anos 90, foi homenageada por inspirar o modelo nacional.

Para enfrentar os desafios do envelhecimento e das mudanças climáticas, o Brasil tem buscado intercâmbio com países que também contam com sistemas públicos universais, como Reino Unido, Espanha, França e Austrália. Padilha destacou a dimensão do modelo brasileiro.

“Nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes tem um sistema nacional público como o nosso. [...] nós temos feito cooperação com esses países para ver como que eles enfrentam os seus desafios”, disse Padilha.

Segundo o ministro, essa troca internacional está sendo aplicada à modernização do programa Mais Médicos, que completou 13 anos com 67 milhões de pacientes atendidos, e do Mais Médicos Especialistas. A prioridade é a saúde digital.

“Você poder colocar esse médico que tá lá na ponta, na área remota, no sertão, na Amazônia, na periferia de uma grande cidade em contato com um centro especializado para resolver o problema de saúde mais rápido lá para a população”, completou.

Acordo global sobre pandemias

Além das ações voltadas ao atendimento primário, o Brasil assumiu a liderança na articulação do Acordo Global sobre Pandemias, aprovado em 2025. A proposta busca garantir o compartilhamento obrigatório de tecnologias e insumos desde o início de emergências sanitárias, com foco na proteção de profissionais de saúde e populações vulneráveis.

Padilha criticou a exclusão do Sul Global no cenário farmacêutico. “Muitas vezes o patógeno é descoberto num país em desenvolvimento e as grandes empresas, instituições dos países desenvolvidos, vão lá, identificam a vacina e a vacina nunca chega para o país em desenvolvimento”, afirmou o ministro.

A cobrança por regras consideradas mais justas chegou às maiores potências. Na recente cúpula do G7, o presidente Lula e o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, lançaram uma carta aberta pedindo apoio internacional para que os países mais pobres não fiquem no fim da fila.