Fed aprova maiores bancos dos EUA em cenário de perdas acima de US$ 708 bilhões
Avaliação indicou que as 32 maiores instituições financeiras do país permaneceriam acima dos requisitos mínimos de capital em uma recessão severa
Os testes de estresse anuais da Reserva Federal dos Estados Unidos indicaram que os 32 maiores bancos do país suportariam perdas superiores a US$ 708 bilhões, cerca de R$ 3,67 trilhões, em um cenário de forte recessão.
Mesmo diante das perdas projetadas, as instituições permaneceriam acima dos requisitos mínimos de capital exigidos pelo regulador.
Com a aprovação, grandes bancos como JPMorgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley anunciaram aumento nos dividendos, após o sinal verde regulatório. O exercício foi criado em 2009, após a crise financeira de 2008, com o objetivo de restaurar a confiança no sistema bancário.
Apesar de críticas de que o teste teria se tornado previsível, a avaliação segue como um marco anual para medir a capacidade de resistência do setor financeiro.
De acordo com a mídia britânica, o cenário analisado pelo Fed simulou uma recessão global severa, desemprego de 10% e queda de 30% nos preços dos imóveis.
As perdas estimadas incluíram cerca de US$ 200 bilhões, mais de R$ 1,03 trilhão, em crédito rotativo; US$ 75 bilhões, cerca de R$ 389,2 bilhões, em imóveis comerciais; e mais de US$ 150 bilhões, aproximadamente R$ 778,5 bilhões, em empréstimos corporativos.
Mesmo com esse cenário, a redução no capital próprio total foi de apenas 1,6 ponto percentual, o menor patamar em sete anos.
O impacto prático do teste deste ano, no entanto, é considerado limitado. O Fed decidiu congelar as reservas de capital de estresse no nível do ano passado enquanto revisa o processo, após contestação judicial de grupos do setor bancário.
A decisão mantém até 2027 requisitos que já haviam sido reduzidos de forma significativa, beneficiando especialmente o Goldman Sachs.
Analistas afirmaram à apuração que, por esse motivo, o teste tende a ser menos relevante para o mercado neste ciclo.
Paralelamente, o Fed conduz a implementação das reformas conhecidas como fase final das regras internacionais de Basileia III. A proposta atual reduziria de forma expressiva os requisitos de capital para grandes bancos, uma vitória regulatória aguardada pelo setor financeiro norte-americano.
A mídia conclui que, embora os bancos tenham sido aprovados e demonstrem resiliência em um cenário extremo, o impacto regulatório do teste é hoje menor do que em anos anteriores. Para o mercado, a avaliação funciona mais como um gatilho para distribuição de capital do que como instrumento de contenção prudencial.