TESTE DE ESTRESSE

Fed aprova maiores bancos dos EUA em cenário de perdas acima de US$ 708 bilhões

Avaliação indicou que as 32 maiores instituições financeiras do país permaneceriam acima dos requisitos mínimos de capital em uma recessão severa

Por Sputnik Brasil Publicado em 25/06/2026 às 08:33
Fed aprovou os 32 maiores bancos dos EUA em teste com cenário de recessão severa © AP Photo / Andrew Harnik

Os testes de estresse anuais da Reserva Federal dos Estados Unidos indicaram que os 32 maiores bancos do país suportariam perdas superiores a US$ 708 bilhões, cerca de R$ 3,67 trilhões, em um cenário de forte recessão.

Mesmo diante das perdas projetadas, as instituições permaneceriam acima dos requisitos mínimos de capital exigidos pelo regulador.

Com a aprovação, grandes bancos como JPMorgan, Goldman Sachs e Morgan Stanley anunciaram aumento nos dividendos, após o sinal verde regulatório. O exercício foi criado em 2009, após a crise financeira de 2008, com o objetivo de restaurar a confiança no sistema bancário.

Apesar de críticas de que o teste teria se tornado previsível, a avaliação segue como um marco anual para medir a capacidade de resistência do setor financeiro.

De acordo com a mídia britânica, o cenário analisado pelo Fed simulou uma recessão global severa, desemprego de 10% e queda de 30% nos preços dos imóveis.

As perdas estimadas incluíram cerca de US$ 200 bilhões, mais de R$ 1,03 trilhão, em crédito rotativo; US$ 75 bilhões, cerca de R$ 389,2 bilhões, em imóveis comerciais; e mais de US$ 150 bilhões, aproximadamente R$ 778,5 bilhões, em empréstimos corporativos.

Mesmo com esse cenário, a redução no capital próprio total foi de apenas 1,6 ponto percentual, o menor patamar em sete anos.

O impacto prático do teste deste ano, no entanto, é considerado limitado. O Fed decidiu congelar as reservas de capital de estresse no nível do ano passado enquanto revisa o processo, após contestação judicial de grupos do setor bancário.

A decisão mantém até 2027 requisitos que já haviam sido reduzidos de forma significativa, beneficiando especialmente o Goldman Sachs.

Analistas afirmaram à apuração que, por esse motivo, o teste tende a ser menos relevante para o mercado neste ciclo.

Paralelamente, o Fed conduz a implementação das reformas conhecidas como fase final das regras internacionais de Basileia III. A proposta atual reduziria de forma expressiva os requisitos de capital para grandes bancos, uma vitória regulatória aguardada pelo setor financeiro norte-americano.

A mídia conclui que, embora os bancos tenham sido aprovados e demonstrem resiliência em um cenário extremo, o impacto regulatório do teste é hoje menor do que em anos anteriores. Para o mercado, a avaliação funciona mais como um gatilho para distribuição de capital do que como instrumento de contenção prudencial.