TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã pede não interferência na reabertura do estreito de Ormuz

Abbas Araghchi afirmou que tentativas de impor outro regime de navegação podem atrasar o processo e ampliar as tensões

Por Sputnik Brasil Publicado em 28/06/2026 às 12:51
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi © AP Photo / Khaled Elfiqi

O governo do Irã alertou que qualquer interferência na situação do estreito de Ormuz poderá dificultar a reabertura da rota e aumentar as tensões na região. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, após os recentes confrontos armados com os EUA.

“Qualquer interferência nesta questão ou qualquer tentativa de impor um regime separado [para a navegação] complicará ainda mais a situação, atrasará a reabertura do estreito de Ormuz e aumentará as tensões”, declarou Araghchi durante coletiva de imprensa ao lado de seu homólogo iraquiano, Fuad Hussein.

O ministro das Relações Exteriores iraniano afirmou que, conforme o memorando assinado em Islamabad, depois de superados os obstáculos, o estreito de Ormuz deverá retornar, em 30 dias, à capacidade de trânsito anterior ao conflito. Segundo ele, o processo ficará sob controle exclusivo do Irã, que assumirá total responsabilidade pela implementação do acordo.

Araghchi disse ainda que o Irã pede que todas as partes respeitem o memorando e evitem interferir no processo de reabertura e administração do estreito de Ormuz.

O chanceler também destacou que Teerã permanece comprometida com o desenvolvimento das relações estratégicas com o Iraque nas áreas econômica, política e de segurança.

Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, denunciou nas redes sociais um suposto ataque com drones realizado pelo Irã contra embarcações no estreito de Ormuz, que teria danificado um navio mercante. Trump classificou o episódio como uma “violação insensata” do cessar-fogo bilateral.

Em resposta, Washington informou ter bombardeado alvos em território iraniano em retaliação ao suposto ataque do Estado persa na região. Na sequência, o Irã retaliou com ataques contra posições de tropas norte-americanas no Oriente Médio.

Esta é pelo menos a segunda vez que EUA e Irã trocam ataques desde que seus presidentes assinaram separadamente um memorando de entendimento, na noite de 17 para 18 de junho, com o objetivo de encerrar mais de três meses de hostilidades e abrir caminho para negociações sobre um acordo final.

De acordo com o memorando, os EUA se comprometeram a suspender o bloqueio naval contra o Irã em 30 dias e a retirar suas forças estacionadas perto do país persa assim que o acordo final for assinado. O acordo deve ser negociado em 60 dias e ratificado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

O Irã, por sua vez, assumiu o compromisso de facilitar a passagem segura de navios mercantes pelo estreito de Ormuz, gratuitamente, por 60 dias, além de dialogar com Omã e os Estados do golfo Pérsico para regulamentar a futura administração e os serviços marítimos nessa via navegável considerada crucial para o comércio internacional.