ONS restringe geração renovável após queda no consumo durante jogo do Brasil
Carga no Sistema Interligado Nacional caiu até 21% na partida contra o Japão, disputada na tarde desta segunda-feira
A queda expressiva no consumo de energia elétrica durante o jogo do Brasil contra o Japão, na tarde desta segunda-feira, 29, somada à geração elevada solar distribuída no horário da partida, levou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a restringir cerca de 20 gigawatts (GW) de geração renovável.
Segundo o ONS, esse volume corresponde à capacidade instalada combinada das usinas de Belo Monte e de Tucuruí.
“O objetivo da redução é prevenir riscos à estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e evitar a perda de controlabilidade do sistema, preservando a segurança e a continuidade do fornecimento de energia à sociedade”, informou o Operador, em nota.
Desde o início do mundo, o ONS desenvolveu uma operação especial para as partidas da seleção brasileira. As ações envolvem planejamento, previsão de carga, programação da operação e acompanhamento em tempo real, com o objetivo de garantir que as rampas de carga durante os jogos sejam acompanhadas pelas variações de geração e pelo uso dos recursos de controle de tensão.
A mobilização de grande parte da população para assistir à equipe brasileira altera o comportamento de carga do SIN. O consumo de eletricidade começa a cair cerca de uma hora antes da partida, se intensifica durante o jogo, registra uma elevação no intervalo e volta a diminuir no segundo tempo. Depois do apito final, quando as pessoas retomam suas atividades, a carga sobe de forma acentuada e retorna ao padrão habitual.
Na partida desta segunda-feira, a carga de energia no SIN atingiu o valor mínimo de 66.515 megawatts (MW) às 14h47. O montante foi 17,4% menor que o registado na data de referência definida pelo ONS, em 9 de junho, no mesmo horário.
Perto do fim do segundo tempo, com as duas equipes tentando evitar a prorrogação e buscando o gol da vitória, o consumo de eletricidade caiu ainda mais em relação à referência, chegando a uma diferença máxima de 21,0%.
Após o encerramento do jogo, o movimento foi inverso. A carga aumentou 12.784 MW em 60 minutos, volume equivalente ao somatório das cargas médias do Paraná e de Minas Gerais, o que foi feito pelo Operador uma manobra de manobra, com acionamento de usinas.
Havia preocupações entre agentes do setor elétrico com a operação especial desta segunda-feira, já que a partida ocorreu em um plano de geração solar significativa, período em que o ONS já costuma determinar a restrição de geração renovável para evitar excesso de oferta no sistema.
Conforme relatado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Operador avaliou que possui requisitos de potência suficientes para uma operação segura.