JORNADA DE TRABALHO

Boulos critica Alcolumbre por manter parada PEC sobre fim da escala 6x1

Ministro da Secretaria Geral da Presidência afirmou que proposta está há um mês sem avanço no Senado e defendeu pressão pública pela votação

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 09:34
Guilherme Boulos (PSOL-SP) Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, 30, durante o programa Bom dia, Ministro , que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), “está errando e errando feio” ao não dar andamento à proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6x1.

Ao comentar o assunto, Boulos usou uma analogia com o futebol, em referência ao clima da Copa do Mundo. Segundo ele, “está tendo muita catimba” e Alcolumbre “precisa lembrar que tem contra-ataque”.

"Não tem justificativa para uma pauta que interessa ao povo brasileiro estar parado na gaveta há um mês por interesses menores. O presidente do Senado está errando e errando feio. E acho que está brincando com fogo. Quando ele deixa essa pauta parada sem nenhuma justificativa, porque não há justificativa de méritos, política ou de qualquer ordem", declarou.

Questionado sobre qual seria esse “contra-ataque”, o ministro disse que “a sociedade é quem vai dizer qual vai ser”. “Achar que vai paralisar uma pauta com clamor social e que a sociedade vai assistir a isso passiva, me parece uma concepção muito temerária e equivocada”, completou.

Boulos não detalhou que medidas o governo federal pretende adotar para tentar garantir a aprovação da PEC do fim da escala 6x1. Ele afirmou que a resposta principal deverá vir da pressão pública.

O ministro também criticou a PEC apresentada pela oposição no Senado como alternativa ao fim da escala 6x1. Para Boulos, a chamada PEC da hora trabalhada representa “o fim dos direitos trabalhistas, a redução salarial e o trabalhador tendo de se virar com bicos”. Ele classificou a proposta como “vergonha”, “farsa” e “um tapa na cara do povo”.

“Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que apoia a PEC da hora trabalhada, faltou em 43% das sessões deliberativas do Senado. Imagina se valesse para ele a PEC da hora trabalhada. Não ia conseguir pagar as compras no fim do mês”, declarou.

Boulos ainda criticou a atuação do setor empresarial contra o fim da escala 6x1. Segundo ele, essa tentativa é uma “maneira descartada para atacar” a proposta.

“O presidente da Fecomercio-SP chegou ao ponto de, em entrevista, atacar o fim da escala 6x1, dizendo que é uma grande besteira, e sugerindo que beneficiários de programas sociais não poderiam votar”, afirmou.