TRANSPORTE EM SP

Linha 17-Ouro ganha estação Washington Luís e terá trajeto bifurcado

Monotrilho que atende Congonhas segue em testes, com ampliação de horário durante a semana e previsão de operação plena em outubro

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 10:29
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O monotrilho da Linha 17-Ouro, que conecta o metrô ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, passa a contar nesta terça-feira, 30, com sua estação oitava. A Washington Luís era a única parada da linha que ainda não havia sido entregue.

O sistema continua operando de forma parcial, em fase de testes. A partir de quarta-feira, 1º de julho, o horário será ampliado para funcionamento das 9h às 16h, de segunda a sexta-feira. Por enquanto, não há atendimento aos fins de semana. O ramal foi entregue no fim de março e deve começar a operação plena em outubro.

Com a abertura da nova estação, a Linha 17-Ouro se torna a primeira em São Paulo com trajeto em Y. A bifurcação ocorre depois da parada Brooklin Paulista, e o destino final poderá ser o Aeroporto de Congonhas ou a estação Washington Luís.

Nesta etapa inicial, quem quiser chegar a Washington Luís precisará desembarcar no Brooklin Paulista e trocar de trem. Um veículo exclusivo fará o trecho entre Brooklin Paulista e Washington Luís.

Enquanto isso, os trens principais seguirão no trajeto Morumbi-Aeroporto de Congonhas, passando por todas as estações, com exceção de Washington Luís.

O passageiro que entrar na linha pela estação Washington Luís deverá seguir até o Brooklin Paulista, descer do vagão e embarcar no trem principal. A partir daí, você poderá escolher o sentido Morumbi ou Aeroporto de Congonhas.

Esquema de embarque deve mudar com operação plena

O modelo atual deve ser desligado apenas durante a fase de testes. Quando a linha estiver em operação plena, o governo estadual pretende alterar o sistema de embarque.

A proposta é eliminar a necessidade de troca de trem no Brooklin Paulista. Parte dos veículos sairia da Estação Morumbi com destino ao Aeroporto de Congonhas, enquanto outra parte seguiria para Washington Luís. “Por exemplo, a cada dois trens para o aeroporto, um vai para Washington Luís. Vamos isso de acordo com a demanda de passageiros”, afirmou o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.

Com a mudança, os passageiros precisam observar as telas e os avisos sonoros para embarcar no trem correto e chegar ao destino desejado.

Segundo o texto original, o método é comum nos metrôs da Europa, como em Paris. Em São Paulo, os passageiros ainda terão de se adaptar à novidade.

A operação plena está prevista para outubro. Nessa fase, o monotrilho deverá funcionar todos os dias, das 4h40 à meia-noite. A administração da linha também passa do Metrô para a rodovia Motiva, nome atual da CCR.

Até lá, o transporte de passageiros continuará gratuito, já que o funcionamento ainda é parcial. Depois, será cobrada tarifa de R$ 5,40, como nas demais linhas do metrô.

Ao alcançar a operação plena, a expectativa é transportar 93 mil usuários por dia. Até o momento, uma linha recebeu cerca de 220 mil pessoas em quase três meses.

“A operação transitória avalia o desempenho dos sistemas, trens e estações em toda a linha, e sua evolução, para poder inserir mais trens em funcionamento simultâneo e a operação em carrossel, ampliando o horário e os dias de atendimento”, informou o Metrô em nota.

Obra sai do papel após atrasos

A obra saiu do papel 13 anos depois do prazo prometido para entrega. Inicialmente previsto para chegar ao Estádio do Morumbi e à Estação Jabaquara, a linha passou a ter como percurso o trecho entre o aeroporto e a Estação Morumbi da CPTM.

O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010 como uma das obras para a Copa do Mundo de 2014. Na época, a previsão era construir 18 estações entre Congonhas e o Estádio do Morumbi, com o objetivo de facilitar a movimentação de torcedores e turistas.

Posteriormente, a organização da Copa substituiu o Morumbi pelo estádio do Corinthians, em Itaquera, como sede das partidas de futebol. As obras transferidas com financiamento federal e, depois de 2014, as construtoras responsáveis, Odebrecht e Andrade Gutierrez, foram atingidas pela Operação Lava Jato.

O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra ficou parada por anos, e o impacto da Lava Jato no setor dificultou uma nova contratação.

Os trabalhos só foram retomados em 2020, mas ainda passaram por novas trocas de empresas e paralisações. “Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios”, disse Rodrigues, do Metrô.

A equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, afirma que o prazo foi definido após consulta ao mercado e que a Lava Jato afetou as condições financeiras do setor. Alckmin, hoje no PSB, é vice-presidente da República.

Em 2010, o projeto com 18 estações foi estimado em R$ 2,9 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação. O custo seria dividido entre os governos federal, estadual e municipal.

O custo total da primeira etapa da obra ficou em R$ 5,97 bilhões. De acordo com o governo do Estado, o valor atual inclui estruturas que atendem à linha e despesas relacionadas aos contratos paralisados.

O Metrô afirma que ainda há intenção de construir as outras dez paradas, completando o trecho até a estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, de um lado, e até Jabaquara, da Linha 1-Azul, do outro.

O governo prevê contratar ainda neste ano o projeto técnico para quatro novas estações: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista. A expectativa é iniciar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031.