Lula alerta sobre influência dos EUA nas eleições de 2026
Presidente admite possibilidade de não participar de debates dependendo da qualidade das discussões.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os Estados Unidos deverão tentar influenciar as eleições presidenciais brasileiras de 2026 em favor do candidato do PL, Flávio Bolsonaro. A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. nesta quinta-feira (30).
O petista também indicou que poderá não participar dos debates do primeiro turno caso considere que o nível das discussões não seja adequado. Lula também voltou a defender o aumento dos investimentos públicos e rebateu críticas do mercado financeiro à política de gastos do governo.
Segundo Lula, a atuação norte-americana ocorreria principalmente por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, a quem atribuiu uma postura contrária ao Brasil e à América Latina. "Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições", afirmou o presidente.
Lula disse que teve uma boa conversa com o presidente Donald Trump, mas afirmou que as decisões posteriores acabam sendo conduzidas por integrantes da diplomacia norte-americana.
O petista também acusou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de atuarem nos Estados Unidos contra os interesses brasileiros e afirmou que Washington busca recuperar influência sobre a América Latina.
Presidente condiciona ida a debates ao 'nível' dos candidatos
Durante a entrevista, Lula também sinalizou que poderá ficar fora dos debates do primeiro turno da disputa presidencial. Segundo o presidente, a decisão dependerá do perfil dos candidatos e da qualidade das discussões promovidas durante a campanha.
"Como presidente da República, não vou a debate para ouvir bobagem. Quero saber qual é o nível", declarou.
Durante o podcast, o presidente voltou a criticar a pressão do mercado financeiro por maior controle das despesas públicas e defendeu que o Estado mantenha investimentos para impulsionar o crescimento econômico.
"O mercado começa o ano falando que é preciso ajuste fiscal, que não pode gastar mais. E você precisa gastar dinheiro para melhorar as coisas. Você não faz educação com discurso, você não faz saúde com discurso", afirmou.
O presidente ainda atribuiu parte da desaceleração econômica registrada na década passada à redução dos investimentos públicos e às regras de limitação dos gastos federais.