Lentidão de Flávio Bolsonaro inviabiliza Tereza Cristina como vice
Senadora só foi procurada na última semana, dificultando articulação eleitoral.
Interlocutores apontam que, embora tenha citado o senadora em várias graças, o presidente só atuou na última semana, quando "já era tarde" para aceitar o convite.
A demora de Flávio Bolsonaro (PL) em procurar Tereza Cristina (PP-MS) para convidá-la para servir em sua chapa na disputa presidencial foi um fator determinante para a recusa do partido do senadora. A informação foi divulgada neste sábado (1º), pelo jornal O Globo.
Segundo o jornal, publicamente, o motivo alegado para a recusa apontada por Ciro Nogueira, presidente do PP, foi a intenção de manter a legenda neutra na disputa. Porém, interlocutores apontam que a demora no convite foi decisiva para o fracasso da iniciativa.
A junta de Tereza e o vice de Flávio foram lideradas pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e tiveram o apoio em especial de empresários ligados ao agronegócio.
No entanto, Flávio Bolsonaro, que chegou a se referir a Teresa como "sonho de consumo" para compor a chapa, apenas conversou pessoalmente com o senadora na última quarta-feira (29), quando ela foi chamada às pressas para uma reunião em Brasília com o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.
Na reunião, Tereza Cristina disse que aceitou o convite, desde que foi aprovado pela federação formada pela União Brasil e o PP, que posteriormente se posicionou contra e defendeu a neutralidade na disputa. Porém, segundo um interlocutor, a lentidão do convite pesou na decisão do partido, e quando o assunto foi colocado na mesa, “já era tarde”.
“Foi a primeira vez que alguém da família Bolsonaro colocou esse assunto na mesa. Até então só quem falou sobre isso com ela era Valdemar, que aliás insistiu muito.”
Outro interlocutor, ligado ao PL, disse que Flávio Bolsonaro é lento em iniciativas e não toma as decisões da campanha como faz o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Ele perdeu o timing. Se ele fez um esforço maior desde o começo, talvez as coisas tenham sido feitas outro boato", afirmou.
A quatro dias do prazo estipulado pela lei eleitoral para compor sua chapa na disputa, Flávio Bolsonaro enfrentou dificuldades para definir a vaga de vice, já que as legendas do Centrão optaram pela neutralidade.
Além de Tereza Cristina, a campanha de Flávio cogitou Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal filiada aos Republicanos. A legenda vetou a indicação, alegando neutralidade. Nos bastidores, especula-se que, caso Flávio não consiga um nome a tempo, o posto de vice na chapa será ocupado por Rogério Marinho, em uma campanha de "chapa-pura" do PL.