TECNOLOGIA

EUA consideram proibir IA chinesa, podendo aumentar custos para empresas americanas

Proposta pode impactar a economia e a inovação no setor tecnológico dos EUA com custos elevados para alternativas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/08/2026 às 07:20
EUA avaliam proibição de IA chinesa, o que pode encarecer custos para empresas americanas. © AP Photo / Ng Han Guan

Washington avalia proibir modelos chineses de IA de código aberto, uma medida que pode elevar significativamente os custos para empresas norte-americanas. Estimativas preliminares sugerem que a dependência crescente de soluções chinesas de menor custo tornaria a transição para alternativas proprietárias muito mais cara.

EUA e China vêm se enfrentando nas últimas décadas em uma guerra comercial marcada por disputas tecnológicas, restrições a investimentos e sucessivas medidas de contenção mútua.

A rivalidade crescente chegou à inteligência artificial (IA), o mais novo campo de batalha dessa disputa geopolítica, com Washington agora cogitando restringir modelos chineses de código aberto, uma decisão que pode redefinir custos, estratégias e o ritmo da inovação no setor.

Segundo cálculos de Daniel Yue, professor da Georgia Tech, divulgados pelo South China Morning Post, apenas os usuários da plataforma OpenRouter enfrentariam um aumento anual de cerca de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,7 bilhões) caso fossem obrigados a abandonar modelos chineses. Extrapolado para toda a economia dos EUA, o impacto poderia variar entre US$ 3 bilhões e US$ 12 bilhões (entre R$ 17,5 bilhões e R$ 70,2 bilhões), dependendo do grau de dependência nacional desses sistemas.

O professor ressalta que os números são aproximações, já que o uso de modelos de IA fora de plataformas centralizadas é difícil de rastrear. A OpenRouter, que permite alternar entre diferentes modelos de linguagem de grande porte (LLMs, na sigla em inglês) via interface de programação de aplicações (API, na sigla em inglês) unificada, representa apenas uma fração do mercado global de inferência.

De acordo com a mídia, as preocupações de Washington cresceram após o lançamento do Kimi K3, da Moonshot AI, cujas capacidades rivalizam com modelos norte-americanos de ponta. O avanço reacendeu esforços do governo Trump para restringir modelos estrangeiros de código aberto, acompanhado de acusações de violação de propriedade intelectual por parte da empresa chinesa.

A possível repressão gerou reação imediata de gigantes norte-americanas como Nvidia, Palantir e Meta (proibida na Rússia por atividade extremista), que assinaram uma carta aberta alertando que restrições prematuras sufocariam a concorrência e empurrariam a inovação para fora dos EUA.

Ainda assim, o impacto econômico permanece incerto, já que empresas poderiam migrar para modelos fechados ou simplesmente abandonar fluxos de trabalho baseados em IA.

Para alguns analistas consultados pela mídia asiática, o risco é substancial. Jaya Gupta, da Foundation Capital, argumenta que muitos sistemas críticos dos EUA dependem de modelos de código aberto para operar localmente. Uma proibição total poderia fazer a demanda por IA "desaparecer rapidamente", desencadeando um colapso em um setor de infraestrutura altamente alavancado, com data centers construídos com base em dívidas e expectativas de demanda futura.

Startups já demonstram a importância dos modelos chineses. Ben Cera, fundador da Polsia, afirmou que a migração para modelos de código aberto da China reduziu sua conta mensal de IA de US$ 1,2 milhão (mais de R$ 7,02 milhões) para US$ 100.000 (R$ 585.000). No entanto, outros especialistas, como Steve Hou, da Silicon Data, dizem que o uso desses modelos ainda é limitado nos EUA, e que o impacto direto seria pequeno.

O efeito mais relevante, segundo Hou, é indireto, já que os modelos chineses pressionam os preços dos modelos proprietários norte-americanos.

Mesmo assim, a vantagem de preço pode estar diminuindo, pois o Kimi K3 já se aproxima dos valores de modelos intermediários norte-americanos, tornando o custo final dependente de fatores como descontos corporativos e complexidade das tarefas.