Ibovespa fecha em alta impulsionado por bancos e Vale, apesar da queda da Petrobras
Índice apresentou leve alta de 0,51%, com destaque para ações do setor financeiro e da mineradora.
Depois de avançar aos 173 mil pontos no dia (+1,21%), o Ibovespa perdeu força durante a tarde desta segunda-feira, 24, mas seguiu para um fechamento positivo (+0,51%, aos 171.906,72 pontos), amparado pelas ações da Vale e do setor financeiro. O movimento equilibrou o desempenho negativo da Petrobras, pressionada pela queda do petróleo na sessão.
O Brent para novembro caiu 2,3% (US$ 2,13), a US$ 90,54 por barril, levando os papéis preferenciais e ordinários da petroleira a ceder mais de 2%. A estatal foi a única entre as maiores empresas da bolsa a encerrar no negativo, enquanto a mineradora, Itaú, Bradesco, B3, Itaúsa e BTG Pactual, tiveram alta firme no dia - juntos, os papéis dessas empresas somam 33% do Ibovespa.
"Vale sobe por conta de fluxo comprador de volta para a empresa. Pode ser um indício de investidores estrangeiros voltando a comprar bolsa no Brasil, já que é uma das principais ações do Ibovespa", afirma Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
A queda do petróleo contrastou com novos desdobramentos negativos em relação à guerra do Oriente Médio. Os EUA sancionaram empresas e pessoas com ligação ao Irã, enquanto o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, ameaçou cortar países que tenham laços econômicos com Teerã do sistema financeiro do dólar.
O receio com o fim das hostilidades vem provocando o avanço da commodity nos últimos meses, mas, nesta segunda, houve espaço para uma correção, segundo operadores. E esse movimento leva os investidores a corrigirem sua exposição na renda variável, especialmente considerando as quedas recentes, que possibilitam pontos de entrada em alguns papéis.
O recuo do petróleo traz alívio na leitura para a inflação global e melhora justamente a situação das empresas diretamente afetadas pelos juros no País no curtíssimo prazo. "Quando o petróleo está caindo, as empresas sensíveis a juros performam melhor", afirma Marcel Andrade, head de Investments Solutions da SulAmérica Investimentos, mantendo parte da expectativa de que o Banco Central possa continuar reduzindo a Selic. Nesta segunda, o Índice de Consumo (ICON) subiu 0,22%, e ação de maior peso no índice, a Ambev, avançou 1,67%.
Do ponto de vista macroeconômico, as altas do Ibovespa continuam representando um ajuste tímido positivo de grandes investidores institucionais depois de uma sequência forte de quedas ao longo de agosto - no mês, o índice ainda acumula perdas de 3,42%. Os receios globais e locais no pano de fundo, continuam impedindo uma entrada mais consistente de recursos tanto dos institucionais locais, quanto dos alocadores estrangeiros.
"Internamente, o pano de fundo macroeconômico e político continuou exigindo bastante cautela dos operadores, atuando como um contrapeso aos ganhos corporativos", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. "Somado a isso, o ambiente político brasileiro reforçou a cobrança do seu tradicional prêmio de risco, com o avanço do calendário eleitoral adicionando uma camada extra de incerteza e volatilidade à tomada de decisão dos investidores."