Margem Equatorial é reposicionada na geopolítica energética
Lula destaca potencial das descobertas de hidrocarbonetos na bacia da Foz do Amazonas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reposicionou a Margem Equatorial no centro da geopolítica energética, apresentando a região como alternativa estratégica diante da instabilidade no estreito de Ormuz.
A afirmação, feita a bordo de um navio-sonda da Petrobras, ocorreu após a recente descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, e reacende o debate sobre o futuro das reservas nacionais, justamente quando o modelo de exploração do pré-sal completa duas décadas.
Segundo o diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Mahatma Ramos, o potencial dessas descobertas pode representar uma fonte relevante de receitas para o setor público e privado, mas a dimensão dos ganhos ainda depende da extensão das reservas e da comprovação de sua viabilidade comercial.
O especialista também cita a experiência do pré-sal como exemplo de como a exploração de recursos petrolíferos pode ser convertida em desenvolvimento. Como explica Marcelo José de Oliveira, doutor em desenvolvimento sustentável, a costa do estado apresenta uma dinâmica particular, influenciada pela descarga do rio Amazonas, pelo grande volume de sedimentos e pelas correntes marinhas.
Embora as modelagens disponíveis indiquem uma baixa possibilidade de um vazamento atingir a costa, ele ressalta que os estudos ainda precisam ser aprimorados. Ambos os especialistas concordam que a transição energética ainda deve levar tempo e que os recursos do petróleo podem ajudar a financiar essa mudança.
"Nós temos um amplo leque de recursos e possibilidades de avançar na transição energética, mas garantindo a segurança de abastecimento e a segurança energética e alimentar da nossa população", afirma Ramos.