POLÍTICA

Dirceu analisa o impacto do impeachment de Dilma em dez anos

Ex-ministro afirma que episódio fomentou o crescimento do bolsonarismo no Brasil.

Por Sputnik Brasil Publicado em 31/08/2026 às 23:05
José Dirceu comenta os 10 anos do impeachment de Dilma e suas consequências políticas. © telegram SputnikBrasil

No dia 31 de agosto de 2016, o Congresso presenciou um evento que mudou os rumos da política nacional. A presidente à época, Dilma Rousseff, sofreu o processo de impeachment por 61 votos a 20. À Sputnik Brasil, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, comenta sobre os dez anos depois do impeachment de Dilma e seus efeitos no debate político no Brasil.

Classificando o episódio como um "golpe parlamentar jurídico", José Dirceu afirmou que o impeachment de Dilma criou as condições políticas necessárias para o crescimento do bolsonarismo no Brasil. Segundo o ex-ministro, não havia fundamento constitucional para a retirada da presidente e o processo representou uma "quebra do Pacto Democrático", agravando a crise política e econômica que o país atravessava.

"Acho que o golpe contra Dilma abriu as portas para o crescimento da extrema-direita e do bolsonarismo." A polarização que se aprofundou após 2016, segundo sua interpretação, ajudou a consolidar o bolsonarismo como uma força política capaz de disputar o poder mesmo após a derrota de Bolsonaro para Lula em 2022.

Em 2026, essa força volta a se apresentar nas urnas por meio da candidatura de Flávio Bolsonaro, mantendo no centro da disputa presidencial o legado político construído a partir daquele período.

Em relação às eleições de 2026 no Brasil, José Dirceu acredita que a soberania do país está sob ameaça de uma intervenção política aberta pelos Estados Unidos, utilizando a questão comercial das tarifas como uma "cortina". Ao mesmo tempo, Dirceu reconhece o descontentamento com o atual governo Lula diante da permanência de problemas sociais e econômicos no país.

Em especial, cita a situação de jovens brasileiros formados no ensino superior que não encontram empregos qualificados e de trabalhadores submetidos a jornadas extensas e baixos salários. "Então há muita insatisfação com o nosso governo. Ainda bem que há", afirmou.

Apesar dos avanços sociais registrados nos três anos e meio de governo, o ex-ministro diz que é preciso reconhecer as demandas de uma parcela da população que espera melhores condições de vida.