Campanha de Flávio Bolsonaro teve gastos com empresa acusada de venda de IA para manipulação eleitoral
A Elytron, empresa de cibersegurança, recebeu R$ 600 mil da campanha e tentou oferecer tecnologia de manipulação de dados.
Reportagem do Intercept Brasil divulgada nesta sexta-feira (16) revelou que o PL informou, nas prestações de contas, ter direcionado R$ 131,9 mil para a Elytron, uma empresa de cibersegurança dos Estados Unidos. De acordo com a publicação, a companhia tentou vender um sistema de inteligência artificial voltado para manipulação nas eleições.
A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, pagou R$ 600 mil à Elytron, que buscava comercializar um sistema para manipulação política clandestina. O Partido Liberal também declarou ter destinado R$ 131,9 mil à empresa, que apresentou uma tecnologia capaz de segmentar eleitores e direcionar campanhas de desinformação.
Documentos obtidos pelo veículo descrevem uma operação que combinaria coleta massiva de dados, identificação de grupos de eleitores e disseminação direcionada de rumores. O sistema também previa a criação de contas falsas, avatares gerados por inteligência artificial, produção de deepfakes e técnicas de guerra psicológica para desacreditar adversários.
A denúncia partiu de Vincent Edward Reed, empreendedor e tecnologista norte-americano que atuou como consultor da Elytron entre 2024 e 2025. Reed afirmou que rompeu com a empresa após conhecer o sistema e considerar que a ferramenta poderia atingir eleitores com conteúdos manipulados. Ele também relatou ter denunciado a operação ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, mas as apurações não avançaram.
A tecnologia foi apresentada a membros da campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2024, conforme adicionado à reportagem.
Sistema previa criação de opiniões e descrédito de adversários
A apresentação comercial da Elytron descrevia o cruzamento de dados sociais, políticos e econômicos para mapear demandas regionais, projetar cenários eleitorais e testar a eficácia de campanhas de comunicação. O documento também detalhava estratégias para identificar públicos e influenciar suas opiniões por meio da distribuição coordenada de conteúdos em redes sociais, blogs e veículos de imprensa.
Os registros de Flávio Bolsonaro no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, mostram que as notas fiscais descrevem os serviços como "consultoria em tecnologia da informação" e mencionam atividades de apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura. O PL justificou o gasto como serviços técnico-profissionais.
A reportagem também aponta conexões internacionais da empresa, que mantém registro em Portugal e relações comerciais com executivos da Aleria, uma companhia de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos.
No Brasil, a publicação identificou vínculos da Elytron com o empresário e influenciador Pablo Marçal, que passou a integrar a equipe de campanha de Flávio no final de setembro, além de relações comerciais com o lutador Renzo Gracie, aliado da família Bolsonaro.
De acordo com o Intercept Brasil, a campanha de Flávio negou ter contratado serviços que violem a legislação eleitoral, afirmando que o contrato destinava-se à proteção de seus sistemas de comunicação. A Elytron repudiou a associação de seu nome a operações clandestinas, deepfakes ou manipulação da opinião pública.
Por Sputinik Brasil