POLÍCIA

Governador de SP demite PM acusado da morte de lutador Leandro Lo

Tarcísio de Freitas publica novo decreto após reviravoltas no caso judicial do tenente Henrique Velozo.

Por Estadao Conteudo Publicado em 21/10/2026 às 18:05
Leandro Lo Reprodução / Instagram

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu novamente o tenente da Polícia Militar, Henrique Otávio Oliveira Velozo, acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu, Leandro Lo. O novo decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado nessa terça-feira, 21.

Procurada pelo Estadão, a defesa do militar informou que irá recorrer da medida. "Uma decisão passível de recurso e que a defesa irá combater", afirmou o advogado Claudio Dalledone.

A medida suspende os efeitos de uma decisão de outubro de 2025, que tinha revertido temporariamente a primeira demissão do policial, publicada em setembro do mesmo ano.

Na ocasião, a defesa de Velozo recorreu à Justiça e obteve uma determinação favorável à reintegração do tenente à corporação. Com isso, ele voltou a receber o salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.

Em novembro de 2025, Velozo reassumiu o cargo após ser absolvido pelo Tribunal do Júri. No mês seguinte, porém, foi afastado e submetido a um regime disciplinar específico. Com a medida, passou a receber um terço do salário, ficou proibido de usar uniforme e foi impedido de exercer atividades policiais até uma decisão definitiva da Justiça.

Em fevereiro deste ano, a Justiça de São Paulo manteve a demissão do policial militar, apesar de sua absolvição na esfera criminal.

O novo decreto, publicado nessa terça-feira, em cumprimento a um acórdão definitivo do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), restabelece a punição administrativa aplicada em setembro de 2025. Com isso, o policial deverá deixar novamente a PM e perderá o direito à remuneração.

Veja as idas e vindas no caso:

09/2025: Demitido deixou de receber salário de R$ 14,6 mil;

10/2025: Reincorporado à PM e voltou a receber o pagamento;

11/2025: Reassumiu o cargo após ser absolvido pelo júri popular;

12/2025: Foi afastado e passou a ficar em regime disciplinar específico, recebendo apenas um terço do salário, proibido de usar uniforme e afastado de qualquer atividade policial até a decisão final da Justiça;

02/2026: Justiça de SP mantém demissão mesmo após absolvição na Justiça criminal;

10/2026: Novamente demitido em decreto do governador publicado no dia 20.

Relembre o caso

Velozo foi acusado de matar Leandro Lo com um tiro na cabeça, em 7 de agosto de 2022. O crime aconteceu após um desentendimento entre os dois, durante um show no Clube Sírio. Na reconstituição do crime, testemunhas contaram que o policial militar foi imobilizado pelo lutador durante uma discussão, mas atirou contra o atleta assim que foi solto e depois fugiu.

O agente chegou a ser excluído do quadro da PM após decisão do Tribunal de Justiça Militar (TJM). Na Justiça comum, o Ministério Público o denunciou por homicídio triplamente qualificado, com qualificadores motivo torpe, emprego de meio insidioso ou cruel e traição ou emboscada. A denúncia foi aceita e Velozo se tornou réu.

Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri de São Paulo, que acolheu a tese de legítima defesa apresentada por sua defesa. Em reação à decisão, Fátima Lo, mãe do lutador, compartilhou em seu perfil no Instagram uma publicação que afirma que o campeão "não teve sua justiça feita".

"Os jurados acolheram a tese de legítima defesa, e com isso o réu não responderá criminalmente pelo disparo que tirou a vida de um dos maiores campeões da história do esporte. Todos hoje carregam um silêncio pesado, difícil de explicar", diz o texto.